O senador Jayme Campos (União Brasil) admitiu que não possui qualquer base técnica ou documental para sustentar a acusação de que o ex-governador e megaprodutor rural Blairo Maggi (PP) teria uma dívida de R$ 2 bilhões com o Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab).
Após a forte repercussão da declaração, o parlamentar reconheceu que o valor citado foi apenas uma estimativa pessoal, sem respaldo em números oficiais da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz).
“Eu chutei em tese esse número. Pelos cálculos que fiz, suponho que chegue à casa de R$ 2 bilhões. Eu não tenho os cálculos, porque não sou contador da Secretaria de Fazenda”, afirmou Jayme em entrevista à Rádio Cultura FM.
A admissão ocorre depois de Blairo Maggi reagir publicamente às acusações. Em entrevista ao MidiaNews, o empresário afirmou que a Amaggi pagou R$ 415 milhões ao Fethab apenas no ano passado.
“Pago isso por ano. Todos os produtores pagam Fethab”, disse Maggi, que ainda lançou um desafio ao senador:
“Pago R$ 100 mil a quem me apresentar essa liminar”.
Acusação sem prova
Mesmo sem apresentar qualquer dado oficial, Jayme Campos insistiu que sua crítica tem caráter político e moral, alegando que haveria um grupo restrito de grandes empresários do agronegócio que deixaria de recolher o fundo estadual por meio de decisões judiciais.
“Toda a sociedade de Mato Grosso já tinha conhecimento de que uma casta de empresários aqui no Estado, dentre eles o Blairo, não paga o Fethab”, declarou.
O senador também classificou a situação como injusta, ao comparar grandes produtores com a maioria do setor rural.
“Eu acho injusto 99% do pecuarista e do produtor rural, que produz soja, algodão, milho, pagar. E uma casta — falaram em torno de 50 bacanas de Mato Grosso — não pagar o Fethab”, completou.
Repercussão política
A declaração, agora reconhecida como sem base técnica, acirrou o embate político entre Jayme Campos e Blairo Maggi e levantou questionamentos sobre a responsabilidade no uso de informações públicas por parte de autoridades.
Até o momento, o senador não apresentou documentos, cálculos oficiais ou decisões judiciais que comprovem a suposta dívida bilionária atribuída ao ex-governador.


























