Decisões judiciais recentes determinaram o bloqueio de veículos avaliados em cerca de R$ 1,5 milhão, dentro da operação “Suserano”. As investigações apontam suspeitas de superfaturamento de mais de R$ 10 milhões na compra de equipamentos destinados a agricultores familiares em Mato Grosso.
Grande parte dos bens bloqueados está registrada em nomes de terceiros, supostos “laranjas”, que teriam sido usados para dificultar o rastreamento dos bens e esconder os reais envolvidos no esquema. Entre os nomes investigados está um representante de empresas que, segundo a apuração, seriam controladas por um empresário ligado ao caso.
O superfaturamento está relacionado a recursos públicos destinados à compra dos kits agrícolas, geridos por meio de um instituto estadual que acumula grande evolução patrimonial em pouco tempo, entre 2022 e 2024. O presidente desse instituto adquiriu dois veículos importados, cada um avaliado em cerca de R$ 186 mil, coincidindo com a celebração dos contratos.
Além disso, ele realizou saques e depósitos em valores elevados, incluindo um depósito em espécie superior a R$ 437 mil. O presidente mantém uma relação próxima, pessoal e profissional, com o empresário central na investigação.
Os recursos públicos repassados ao instituto teriam sido direcionados para empresas ligadas ao empresário, que formalmente não aparece como proprietário, mas possui amplos poderes para administrar os negócios, por meio de procurações assinadas por terceiros.
Outro ponto importante é a filha do empresário, que, apesar da pouca idade e da atividade como influenciadora digital com poucos seguidores, possui bens avaliados em cerca de R$ 5 milhões, incluindo imóveis e veículos.
Na operação, foram bloqueados veículos e imóveis registrados em nomes dos envolvidos, incluindo carros de luxo e propriedades localizadas na capital e em cidades próximas. Um ex-secretário também teve um veículo apreendido por ordem judicial.
A investigação teve início a partir de uma auditoria que identificou superfaturamento de até 80% nos contratos voltados à agricultura familiar, totalizando R$ 28 milhões. Como medidas cautelares, a Justiça determinou a entrega de passaportes pelos investigados, proibiu o contato entre eles e o acesso a órgãos públicos, além de suspender empresas envolvidas de contratar com o governo estadual.
O caso resultou em exonerações de servidores ligados à pasta responsável pelos contratos, incluindo o afastamento do ex-secretário após as primeiras denúncias.






























