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DESVIOS NO TJMT

Acordo sob suspeita: Marcrean paga milhões a investigado da Operação Sepulcro Caiado

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Um acordo milionário envolvendo um vereador de Cuiabá e um personagem central de um dos maiores escândalos do Judiciário mato-grossense foi aprovado pela Justiça. A juíza Olinda de Quadros Altomare, da 11ª Vara Cível da Capital, homologou um acerto financeiro entre o vereador Marcrean Santos (MDB) e João Gustavo Ricci Volpato, investigado como operador de um esquema de desvios no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Pelo acordo, Marcrean se comprometeu a pagar R$ 2,29 milhões a Volpato, valor praticamente idêntico à dívida cobrada no processo, estimada em R$ 2,30 milhões. A decisão foi publicada na última segunda-feira (2), sem que fossem detalhadas as circunstâncias que levaram à composição entre as partes.

A magistrada determinou que o pagamento será feito de forma parcelada e manteve o bloqueio de bens do vereador como garantia até a quitação total do débito. O acordo também prevê cláusula penal em caso de descumprimento, além da definição sobre honorários advocatícios.

João Gustavo Ricci Volpato é um dos alvos da Operação Sepulcro Caiado, investigação que revelou um esquema de supostos desvios no TJMT, inicialmente estimados em R$ 21 milhões. Ele atuava ao lado do irmão, Augusto Frederico Ricci Volpato, por meio da empresa Labor Fomento Mercantil, formalmente registrada como factoring.

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Segundo as investigações, a empresa teria sido utilizada para conceder empréstimos e, posteriormente, fabricar cobranças judiciais falsas, usando dados de devedores para justificar pagamentos indevidos realizados pelo próprio Tribunal de Justiça. O esquema teria servido como mecanismo para desviar recursos públicos sob a aparência de decisões judiciais regulares.

Os irmãos Volpato chegaram a ser presos preventivamente, mas acabaram soltos por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Em outro desdobramento do caso, ao analisar um habeas corpus relacionado à operação, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Ricardo Villas Bôas Cueva, afirmou que o Judiciário de Mato Grosso enfrenta um grave “movimento de corrosão”.

A Operação Sepulcro Caiado teve início em julho de 2025, a partir de investigações da Polícia Judiciária Civil, com apoio institucional do próprio TJMT. Posteriormente, o caso passou a ser conduzido pela Polícia Federal.

O nome da operação faz referência a uma passagem bíblica, na qual Jesus Cristo critica os “sepulcros caiados”: estruturas aparentemente belas por fora, mas tomadas pela podridão por dentro — metáfora usada pelos investigadores para descrever práticas marcadas por hipocrisia e corrupção.

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