A Justiça marcou para o dia 30 de janeiro audiência para ouvir testemunhas na ação penal que apura fraudes no Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul). Apontado como pivô do esquema, o despachante David Cloky Hoffaman Chita foi preso mês passado, após ficar mais de um ano foragido.
Conforme publicação no Diário da Justiça desta quinta-feira (8), serão ouvidas, de forma presencial, testemunhas comuns da defesa e acusação. Ou seja, tanto pessoas arroladas pelo Ministério Público como pelos réus. Além de Chita, respondem pelo crime a ex-servidora comissionada da Corregedoria Yasmin Osório Cabral e o despachante Edilson Cunha Nogueira.
Conforme investigação do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), David teria conseguido liberar documentações de pelo menos 29 veículos com restrições. Yasmin recebia propina para, clandestinamente, dar baixas em caminhões com restrições, em fraude cometida em conjunto com o despachante David Cloky Hoffaman Chita.
Conforme relatório de investigação policial, que está em sigilo, ao qual o Jornal Midiamax teve acesso, David pagava Yasmin pelos serviços. Foi apurado que ela ganhou um iPhone 15 Pro Max — que foi entregue a ela em uma cesta dentro do Detran-MS —, joia e eletrônicos, como ar-condicionado e televisão, além de valores em dinheiro no Pix.
Yasmin também chegou a ser presa, mas foi solta ao descobrir que estava grávida. Ela foi exonerada do Detran-MS e atualmente cumpre prisão domiciliar, com monitoramento de tornozeleira eletrônica. Ela foi nomeada ‘Supergirl heroína do trânsito’ em eventos educativos do Detran-MS.
Além disso, David Chita também foi condenado ano passado a seis anos, no regime semiaberto, pelo roubo de propina de R$ 270 mil, no caso da Operação Vostok.
David tentou delação para acusar Beto Pereira de chefiar esquema

Em entrevista exclusiva ao Jornal Midiamax no ano passado, David Chita apontou o deputado federal Beto Pereira (PSDB) como chefe do esquema de corrupção no Detran-MS.
O despachante afirmou que tinha como provar todas as acusações e que a possível delação poderia derrubar suposta quadrilha com servidores do órgão, empresários, delegados de polícia, assessores e políticos.
Chita é velho conhecido do grupo político do qual Beto Pereira participa e é citado em diversas investigações por fraudes no Detran-MS.
Além disso, o esquema de propinas e fraude no sistema de cadastro do Detran-MS não é novo e foi denunciado antecipadamente em reportagem do Núcleo de Jornalismo Investigativo do Jornal Midiamax, em 2020. A Operação Gravame confirmou as denúncias e até chegou a alguns servidores, mas a suposta blindagem de políticos na atuação do MPMS e de delegados de polícia manteve o grupo a salvo.
Na época, o despachante apresentou prints com detalhes do que relatou como pagamentos de R$ 30 mil a Pereira, todo dia 10. Já Juvenal Neto (PSDB), ex-diretor do Detran e ex-prefeito de Nova Alvorada do Sul, receberia R$ 20 mil, todo dia 20.
“E tem muito mais. O que estou contando para vocês não é nem 30% de tudo que eu sei. Tem muito mais coisas que podem aparecer se quiserem investigar e se não me matarem antes”, alertou Chita, justificando estar foragido por temer pela própria vida.
Segundo ele, mais de R$ 1,2 milhão foram repassados ao grupo chefiado pelo deputado federal no período em que o esquema criminoso operou.
A delação foi oficialmente apresentada ao MPMS, inclusive, o Jornal Midiamax colaborou com as investigações, entregando pen drive com a entrevista completa de David. No entanto, por envolver deputado federal, a denúncia foi remetida à PGR (Procuradoria-Geral da República), em Brasília, que arquivou o caso. A justificativa foi por “ausência de elementos”.


























