Clientes de Campo Grande recorreram à Justiça nos últimos meses contra uma instituição do setor financeiro ligada ao Banco Master, questionando contratos de empréstimos e descontos em benefícios previdenciários que afirmam não ter autorizado.
Estes processos tratam principalmente de empréstimos consignados e cartões de crédito vinculados ao benefício, modalidades comuns para aposentados e pensionistas.
Nos quatro casos analisados, os autores são moradores de Campo Grande e relatam situações semelhantes, com descontos em salário ou aposentadoria, contratos que dizem não reconhecer e dívidas que, segundo eles, cresceram além do esperado.
Os quatro pedidos judiciais incluem cancelamento das cobranças, devolução de valores e indenizações por danos morais.
Aposentada questiona descontos de R$ 14 mil
Em um dos processos que tramitam na Justiça estadual em Campo Grande, uma professora aposentada afirma que buscou um empréstimo de cerca de R$ 10 mil, mas acabou vinculada a um cartão consignado.
Segundo a ação, começaram a aparecer descontos mensais em seu benefício. Com o tempo, os valores pagos chegaram a R$ 14.529,83. A autora sustenta que pagou mais do que deveria e pede na Justiça a devolução de R$ 6.922,26 ou R$ 3.461,15, caso a restituição seja simples, além de R$ 15 mil por danos morais.
Reclamação de cobrança de serviço
Outro processo foi movido por um advogado aposentado, de 72 anos, também morador de Campo Grande. Ele afirma que passaram a aparecer cobranças em seu cartão consignado relacionadas a um serviço que diz nunca ter contratado.
Segundo a ação, os descontos somaram R$ 826,16. O aposentado pede a devolução do valor e uma indenização de R$ 7 mil por danos morais. O valor total atribuído à causa é de R$ 7.826,16.
Pensionista pede indenização de R$ 20 mil
Em um terceiro caso, uma pensionista afirma que passou a sofrer descontos relacionados a um cartão consignado vinculado ao benefício previdenciário.
Ela entrou na Justiça pedindo a anulação da dívida, a devolução dos valores descontados e indenização de R$ 20 mil por danos morais. A instituição financeira, nos autos, sustenta que a contratação ocorreu de forma regular.
Descontos mensais de R$ 128 geram processo
Outro morador da Capital afirma que passou a sofrer descontos mensais de R$ 128,18 em seu benefício sem ter contratado empréstimo.
Segundo o processo, foram debitadas 24 parcelas, totalizando R$ 3.076,32. Ele pede a devolução em dobro desse valor, o que chegaria a R$ 6.152,64, além de R$ 20 mil de indenização por danos morais.
Nesse caso, houve sentença reconhecendo a cobrança indevida. A indenização inicialmente fixada foi contestada, e o tribunal manteve a condenação, mas reduziu o valor do dano moral para R$ 3 mil.
Processos continuam em andamento
Apesar das denúncias nacionais envolvendo o banco, os processos analisados em Campo Grande tratam de conflitos individuais entre consumidores e instituições financeiras que operavam produtos ligados ao grupo.
Na maioria dos casos, as ações ainda tramitam na primeira instância da Justiça estadual. Como ainda não há decisão final em parte dos processos, os resultados podem mudar com novos julgamentos ou recursos nas instâncias superiores.
Quem é o Banco Master
O Banco Master ganhou projeção nacional após investigações sobre supostas fraudes financeiras envolvendo a instituição e seu controlador, o banqueiro Daniel Vorcaro. A instituição foi colocada em liquidação pelo Banco Central em 2025 após apurações sobre irregularidades e problemas de liquidez.
As investigações da Polícia Federal apontam suspeitas de gestão fraudulenta e criação de créditos sem lastro, usados para sustentar operações financeiras e atrair investidores com rendimentos elevados.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a prisão de Vorcaro durante a operação federal que investiga o esquema. As autoridades também bloquearam bilhões de reais em bens ligados ao grupo financeiro.
























