O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não vê “nenhuma razão econômica, social e política” para não ser reeleito no segundo turno da eleição presidencial. A declaração foi feita nesta segunda-feira (5), durante reunião com aliados em Brasília, um dia depois de o petista terminar a primeira etapa da disputa atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Com 100% das urnas apuradas, Flávio recebeu 56,1 milhões de votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula somou 53,9 milhões, ou 45,16%. A diferença foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos.
Durante o encontro, Lula afirmou estar convencido de que a campanha tem condições de reverter o resultado no segundo turno, marcado para 25 de outubro. O presidente citou o desempenho do governo e afirmou que não identifica obstáculos que impeçam sua vitória.
“Estou convencido de que não há nenhuma razão para eu não ser eleito presidente da República no segundo turno. Não há razão econômica, social e política”, declarou.
Segurança pública
Um dos temas apontados por Lula como prioridade para as próximas três semanas é a segurança pública. O presidente afirmou que os Estados não conseguem enfrentar sozinhos o avanço do crime organizado e defendeu maior participação do governo federal.
Segundo Lula, desde a Constituição de 1988 a responsabilidade pela segurança pública ficou concentrada nos Estados, mas o cenário atual exigiria uma atuação mais ampla da União.
“O Estado sozinho não dá conta. A bandidagem cresceu, ficaram sofisticados, entraram no Poder Judiciário, partidos, clubes de futebol”, afirmou.
O petista citou ainda a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, enviada pelo governo ao Congresso. A proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em setembro, mas ainda aguarda análise do plenário.
Abstenção vira alvo da campanha
Outro ponto destacado por Lula foi a elevada abstenção registrada no primeiro turno. Ao todo, 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas, número equivalente a 21% do eleitorado apto e o maior percentual desde 1998.
O presidente afirmou que a campanha precisa entender as razões que levaram milhões de pessoas a não votar e tentar mobilizá-las para o segundo turno.
“São 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu com elas?”, questionou.
A estratégia de Lula agora será direcionada também aos eleitores que ficaram fora da primeira votação. O petista reconheceu que a campanha terá de trabalhar para despertar o interesse desse grupo e levá-lo às urnas em 25 de outubro.
A disputa presidencial será definida entre Lula e Flávio Bolsonaro. O resultado do primeiro turno colocou o atual presidente em segundo lugar pela primeira vez em uma eleição presidencial desde que voltou a disputar o Palácio do Planalto.



















