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A recente troca de comando

O pedetista vem sendo tratado como carta fora do baralho dentro da legenda

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A recente troca de comando no Ministério da Previdência gerou uma crise política no PDT e escancarou o isolamento de Ciro Gomes dentro do próprio partido. O ex-governador do Ceará, que foi candidato à Presidência nas duas últimas eleições, classificou como uma “indignidade inexplicável” a substituição de Carlos Lupi por Wolney Queiroz na pasta, ocorrida na última sexta-feira (2).

A declaração foi feita em tom de repúdio nos comentários da publicação oficial do PDT sobre a mudança, revelando o tamanho do incômodo com os rumos da legenda e a submissão cada vez maior ao Palácio do Planalto.

Lupi, presidente licenciado do PDT e aliado histórico de Ciro, caiu em meio ao desgaste político provocado pelo escândalo dos descontos indevidos sobre aposentadorias, esquema que envolveu entidades conveniadas ao INSS e que, segundo a Polícia Federal, pode ter movimentado até R$ 8 bilhões desde 2016, parte deles durante sua gestão.

Embora o ex-ministro não seja formalmente investigado, sua permanência se tornou insustentável após a repercussão negativa e a pressão do governo.

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A crise se agravou com a demissão de Alessandro Stefanutto, presidente do INSS indicado por Lupi.

Em seu lugar, Lula nomeou Wolney Queiroz, que já atuava como auxiliar direto de Lupi no ministério, mas cujo histórico político revela um perfil mais alinhado ao lulismo do que ao cirismo.

Em 2022, Wolney ignorou completamente a campanha presidencial de Ciro e preferiu integrar a equipe de transição de Lula após a vitória petista. A escolha é vista como mais um gesto de Lula para manter o PDT sob controle institucional, mesmo que isso signifique ignorar o papel fragilizado de Ciro Gomes e aprofundar as divisões internas no partido.

Ciro, por sua vez, reagiu com veemência, não apenas pela substituição, mas pelo que ela representa: um partido outrora autônomo e combativo, hoje cada vez mais submisso à lógica fisiológica do poder petista.

O pedetista vem sendo tratado como carta fora do baralho dentro da legenda, enquanto nomes como Wolney se projetam pela conveniência e pela disposição de se alinhar a Lula. A saída de Lupi da Esplanada e seu retorno ao comando do PDT, portanto, deve reacender a disputa entre as alas mais críticas ao governo e aquelas dispostas a compor com o Planalto em troca de espaço.

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O escândalo dos descontos ilegais no INSS, que penalizou diretamente milhões de aposentados com débito sistemático de valores sem autorização, expôs também a falta de controle e a omissão da cúpula do ministério nos últimos anos.

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