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Euclides Ribeiro

Basta de impunidade! Mato Grosso não pode mais sangrar

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O Brasil e, mais especificamente, o estado de Mato Grosso, assistem a uma progressão geométrica da barbárie. Recentemente, a comunidade acadêmica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) foi sacudida pela revelação de que alunos do curso de Direito — os futuros guardiões da justiça — elaboraram listas classificando colegas como “estupráveis”. Este fato, longe de ser um incidente isolado ou uma “brincadeira juvenil”, é o sintoma mais agudo de uma patologia social que venho denunciando: a desumanização sistemática da mulher.

Enquanto a Itália, em dezembro de 2025, deu um passo civilizatório ao oficializar a prisão perpétua para feminicidas, Mato Grosso parece caminhar a passos largos para o abismo, liderando pelo segundo ano consecutivo o ranking nacional de violência letal contra o gênero feminino. A conexão entre a lista da UFMT e os índices de feminicídio é direta: não existe o crime físico sem antes haver o crime simbólico.

É inadmissível que no ambiente acadêmico, onde se deveria cultivar a dignidade da pessoa humana, floresça o planejamento de atos de moléstia e violência sexual. Quando estudantes de Direito objetificam suas colegas em grupos de mensagens, eles estão validando a cultura do domínio que termina em tragédia. É preciso lembrar que, neste mesmo campus, Solange Aparecido Sobrinho foi estuprada e morta. A “lista” não é apenas texto; é a autorização psicológica para o próximo agressor.

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O feminicídio não é um evento súbito. Ele é o ápice de um ciclo. Começa na mensagem de WhatsApp, passa pelo controle psicológico e termina na violência fatal. Se o Estado e as instituições educacionais negligenciam a “lista”, eles estão, por omissão, pavimentando o caminho para o próximo enterro.

Mato Grosso registrou em 2024 a marca vergonhosa de 2,5 mortes para cada 100 mil mulheres. O aumento de 31% nos casos no primeiro semestre de 2025 prova que as medidas atuais são paliativas. A liderança do nosso estado nesse “ranking da morte” é o resultado direto de falhas na rede de proteção e de uma leniência jurídica que ainda permite que agressores se sintam impunes.

Para mudarmos esta realidade, não basta apenas lamentar. Precisamos de medidas que ataquem a estrutura do ódio e da dependência.

Não podemos aceitar que o nosso estado continue liderando o ranking da morte. A barbárie que começa em “listas” de faculdades termina em feminicídio. É hora de medidas drásticas.

Para mudarmos esta realidade e interrompermos esta epidemia defendo quatro pilares inegociáveis; Castração Química, o feminicídio deve ter penas inafiançáveis e severas. Nesse contexto, a aprovação do PL 3.127/2019 pela CCJ, que propõe a castração química voluntária para estupradores reincidentes, surge como uma ferramenta necessária para frear a reincidência. Países como Alemanha, França, Coreia do Sul e Estados Unidos já adotam esse procedimento para impedir que agressores voltem a atacar. A impunidade termina onde o rigor começa.

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Banimento Social: Instituições de ensino devem aplicar o banimento imediato de alunos que participem de grupos de incitação à violência sexual. A punição deve atingir a expectativa de carreira de quem agride, impedindo que futuros operadores do Direito sejam os primeiros a violá-lo.

Pix da Liberdade: Muitas mulheres morrem por falta de meios financeiros para fugir. Proponho a criação da “Renda de Liberdade”, um auxílio emergencial liberado via Pix no ato da denúncia e concessão da medida protetiva, garantindo logística de fuga e sobrevivência imediata.

Educação de Base: O combate à misoginia deve ser disciplina obrigatória desde o ensino básico até o superior. Precisamos reeducar os homens para que entendam que a mulher é um sujeito de direitos, e não um objeto de classificação em listas.

Não podemos aceitar que Mato Grosso seja notícia pela morte de suas cidadãs enquanto assistimos à normalização da violência em nossas universidades. A vida das mulheres mato-grossenses não é moeda de troca. Precisamos de leis que não apenas julguem o cadáver, mas que protejam a vida.

Pelo fim da impunidade. Pela vida de todas as mulheres.

Euclides Ribeiro Advogado, especialista em Recuperação Judicial e pré-candidato ao Senado por Mato Grosso.

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