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DIOGO TADEU ALVES

O “Rosto de Ozempic” e a estética regenerativa

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Tenho observado um fenômeno clínico sem precedentes em 2026. A popularização das “canetas emagrecedoras” (análogos de GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida) trouxe vitórias metabólicas inquestionáveis, mas também gerou uma nova demanda nos consultórios: a face com emagrecimento agudo.

O termo, popularmente conhecido como “Ozempic Face”, descreve uma incidência elevada de flacidez facial acentuada, perda de compartimentos de gordura estruturais e um aspecto de envelhecimento que parece ocorrer em meses, e não em décadas.

A relação entre o uso desses fármacos e a flacidez facial é puramente biológica e volumétrica. O rosto humano é sustentado por coxins de gordura estrategicamente posicionados que conferem suporte, ângulo e viço.

Quando ocorre uma perda ponderal sistêmica e acelerada, esses “travesseiros” biológicos esvaziam-se rapidamente. Sem o suporte da gordura, a pele — que muitas vezes já possui um colágeno fragilizado — perde sua ancoragem.

O resultado é a queda dos tecidos (ptose), o aprofundamento do sulco nasogeniano (o famoso “bigode chinês”), a perda da definição da linha mandibular e o aparecimento de rugas finas devido à desidratação dérmica.

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A incidência desse quadro é particularmente alta em pacientes acima dos 40 anos, fase em que a capacidade de retração da pele já é naturalmente menor. Contudo, o que diferencia o envelhecimento comum da flacidez por perda de peso rápida é a velocidade da degradação proteica.

A pele não tem tempo hábil para se adaptar ao novo volume, resultando em um aspecto “murcho” e fadigado que nem sempre corresponde à vitalidade que o paciente sente no corpo após o emagrecimento.

Para combater esse cenário, a estética moderna abandonou o conceito de simplesmente “preencher” o rosto com grandes volumes de ácido hialurônico, o que poderia levar ao aspecto artificial de “Pillow Face”. Em vez disso, focamos na Estética Regenerativa e na Bio-Inteligência.

O protocolo de escolha para pacientes que fazem uso de canetas emagrecedoras baseia-se na reestruturação do terreno biológico. Utilizamos bioestimuladores de colágeno (como o ácido poli-L-láctico) para devolver a densidade dérmica e tecnologias de ancoragem, como o Endolaser facial ou o ultrassom microfocado, para reposicionar os tecidos sem a necessidade de cortes.

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Além das intervenções injetáveis, a integração com exossomos e polinucleotídeos (PDRN) tornou-se essencial para reparar a qualidade da pele em nível celular. O objetivo é restaurar o que chamo de Rich Glow — aquele viço de pele saudável que muitas vezes é perdido durante a dieta restritiva.

O gerenciamento da flacidez facial no paciente em emagrecimento deve ser preventivo: o ideal é iniciar os estímulos de colágeno assim que o tratamento medicamentoso começa, garantindo que a pele tenha “memória” e firmeza para acompanhar a nova silhueta.

Diogo Tadeu Alves Corrêa é médico e atua na clínica Tez

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