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OPERAÇÃO UNHA E CARNE

PF investiga lavagem de dinheiro do jogo do bicho e mira pastor Márcio Poncio, bicheiro e ex-deputado da Assembleia do RJ

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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira, a quinta fase da Operação Unha e Carne para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à nova cúpula do jogo do bicho e possíveis repasses ilegais a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro.

Ao todo, são cumpridos três mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As ordens judiciais são executadas em endereços no Rio de Janeiro e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O STF também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 22 milhões.

Entre os alvos da operação estão o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, e o contraventor Adilsinho, ambos já presos. Também são alvos o pastor Márcio Poncio, preso nesta manhã em um hotel na Barra da Tijuca, e Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral.

Márcio Poncio é pai da deputada estadual Sarah Poncio e, segundo a investigação, tem ligação com a indústria do cigarro, setor no qual também atua Adilsinho.

De acordo com a Polícia Federal, esta etapa da investigação começou após a apreensão de listas em poder de Adilsinho. Os documentos indicariam registros de supostos pagamentos irregulares, doações eleitorais e movimentações financeiras relacionadas à lavagem de dinheiro. Segundo os investigadores, o material aponta possíveis repasses diretos a agentes políticos do estado.

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A corporação informou que as investigações seguem com a análise dos documentos apreendidos, rastreamento do fluxo financeiro e identificação de possíveis beneficiários, intermediários e operadores do esquema.

Histórico da operação

As primeiras fases da Operação Unha e Carne foram realizadas entre dezembro de 2025 e março deste ano.

Na primeira etapa, Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj, passou a ser investigado por suspeita de repassar informações sigilosas da Operação Zargun, que tinha como alvo o Comando Vermelho (CV). Segundo a Polícia Federal, o principal beneficiado seria o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado como articulador político da facção e preso durante a operação.

Na segunda fase, ainda em dezembro de 2025, a investigação avançou para identificar a origem dos supostos vazamentos. Na ocasião, a PF prendeu preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Conforme a investigação, ele teria repassado informações sigilosas a Bacellar, que, posteriormente, as encaminharia a TH Joias. A corporação afirma ter reunido mensagens, registros de ligações e outros elementos que indicariam a proximidade entre os investigados.

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A terceira fase ocorreu em março deste ano, quando Rodrigo Bacellar foi preso novamente, desta vez em sua residência, em Teresópolis. A prisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes após a cassação do mandato do ex-deputado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no caso Ceperj, e depois de denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A investigação também passou a ser tratada no contexto da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas.

Em maio, a quarta fase ampliou o foco das investigações para um suposto esquema de fraudes em contratos da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. Na ocasião, a Polícia Federal cumpriu sete mandados de prisão e 23 de busca e apreensão na capital e nos municípios de Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana.

Segundo a PF, as apurações apontaram indícios de direcionamento de contratos para aquisição de materiais, contratação de serviços e reformas em escolas estaduais. As empresas beneficiadas teriam sido previamente escolhidas e manteriam ligação com a organização criminosa investigada.

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