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ESTRATÉGIA

OPERAÇÃO DECOR: labareda deixa República do Piauí chamuscada

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Brasília amanheceu sob forte tensão política. A operação deflagrada pelo Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DECOR), da Polícia Civil do Distrito Federal, atingiu nomes que durante anos ocuparam posições estratégicas na condução da economia do Distrito Federal.

Entre os alvos aparecem, Luiz Carlos de Souza, ex-integrante da Secretaria de Economia, e um dos tentáculos do deputado Rafael Prudente na engrenagem financeira do GDF. Luiz deixou a estrutura do governo após a reorganização promovida pela governadora Celina Leão. O nome de maior peso alcançado pela operação foi o de Ney Ferraz, ex-secretário de Economia e um dos homens mais poderosos da administração Ibaneis Rocha, o segundo na hierarquia da república do Piauí.

Nas primeiras horas da manhã, antes mesmo do cantar do galo, agentes da DECOR cumpriram mandados de busca e apreensão na residência de Ney Ferraz, no Setor Noroeste. A operação também chegou à residência de Luiz Carlos de Souza, em Planaltina DF. As diligências alcançaram ainda a Secretaria de Economia no GDF, e endereços profissionais ligados aos investigados.

O avanço da investigação produziu impacto imediato nos bastidores do poder. Luiz Carlos nunca foi tratado apenas como um subsecretário. Dentro da estrutura econômica do governo era visto como uma das peças mais influentes da engrenagem administrativa. Homem de confiança de Ney Ferraz, era apontado por aliados e adversários como o braço político de Rafael Prudente dentro do coração financeiro do GDF.

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Foi justamente esse detalhe que transformou uma operação policial em um terremoto político.

Ao tomar conhecimento das buscas, Ibaneis Rocha e Prudente passaram a interpretar os acontecimentos sob a ótica da disputa interna que hoje divide o MDB do Distrito Federal. A avaliação de pessoas próximas ao ex-governador é que a operação atingiu exatamente um dos núcleos que mantinham ligação histórica com seu grupo político.

No domingo, 14 Ibaneis usou a panelinha no jantar e foi filmado por Ney Ferraz, Marlucio e Wiliam Cunhado de Ferraz. O grupo é conhecido por “República do Piauí”.

A guerra começou quando Wellington Luiz decidiu caminhar ao lado da governadora Celina Leão enquanto Ibaneis tentava construir uma alternativa eleitoral para enfrentá-la. Primeiro veio Rafael Prudente. O projeto não encontrou sustentação política suficiente. Depois surgiu a possibilidade de José Humberto. Também não avançou.

O resultado foi devastador para a unidade do MDB.

Wellington Luiz passou a se sentir traído por Rafael Prudente e Ibaneis que durante anos estiveram ao seu lado. Ibaneis e Rafael deixaram de enxergá-lo como aliado. O partido mergulhou numa disputa interna que produziu feridas difíceis de cicatrizar.

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Hoje, embora ocupe a presidência regional do MDB, Wellington convive com uma estrutura partidária que limita sua margem de atuação. Tem o cargo. Não necessariamente o comando absoluto das decisões.

É nesse ambiente que a operação da DECOR desembarca.

Entre aliados de Ibaneis, a convicção é de que o embate político entrou numa fase mais agressiva. A avaliação que circula nos bastidores é que a disputa deixou de ser travada apenas nas reuniões reservadas e passou a produzir reflexos concretos no cenário político local.

Brasília assiste, mais uma vez, a um confronto entre antigos aliados. A diferença é que agora ninguém faz questão de esconder a guerra.

O que antes era cochichado nos corredores do poder passou a ser ouvido em voz alta.

E quando isso acontece em Brasília, normalmente significa que a batalha está apenas começando.

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