Pesquisar
Close this search box.
MONNIZE DA COSTA

Duplicaram a rodovia, esqueceram a comunidade

publicidade

A duplicação da BR-163, conduzida pela concessionária Nova Rota do Oeste, é frequentemente apresentada como um dos maiores avanços de infraestrutura logística de Mato Grosso. De fato, trata-se de uma obra estratégica, essencial para o escoamento da produção agrícola e para a redução de acidentes em uma rodovia historicamente marcada por tragédias.

O discurso institucional destaca bilhões em investimentos, centenas de quilômetros duplicados e a promessa de modernização completa da chamada “rota da soja”.

No entanto, quando saímos dos relatórios e descemos ao nível das comunidades que vivem às margens dessa rodovia, a realidade nem sempre acompanha o discurso.

É o caso da comunidade do Posto Gil, no município de Diamantino.

Ali, a duplicação simplesmente passou — e seguiu adiante — sem deixar um legado proporcional ao impacto que a obra impôs à vida local. O que deveria representar progresso e desenvolvimento acabou gerando dificuldades práticas e diárias para quem vive à beira do asfalto.

A ausência de infraestrutura adequada é evidente. Não há acostamentos seguros que permitam a circulação mínima de pedestres e moradores. Não há rotatórias que garantam acesso digno à comunidade. Não há dispositivos de retorno próximos.

Leia Também:  A educação planta o futuro

Na prática, quem vive no Posto Gil precisa percorrer cerca de 5 quilômetros para conseguir fazer um retorno — uma situação que impõe desgaste, risco e perda de tempo todos os dias.

É preciso dizer com clareza: duplicar uma rodovia não pode significar ignorar as pessoas que vivem ao longo dela.

A lógica aplicada até aqui parece tratar a BR-163 apenas como um corredor de passagem, voltado exclusivamente ao fluxo de cargas e veículos de longa distância. Mas uma rodovia também é território, é espaço de vida, é parte integrante de comunidades que existem antes e continuarão existindo depois das obras.

O desenvolvimento não pode ser seletivo.

Não é razoável que bilhões sejam investidos em asfalto e engenharia pesada, enquanto necessidades básicas de comunidades locais — como acesso seguro, mobilidade e integração — sejam negligenciadas. A falta de retornos, rotatórias e acessos planejados não é apenas uma falha técnica; é uma falha de sensibilidade social e de planejamento.

O Posto Gil não pede privilégios. Pede o mínimo: segurança, acessibilidade e respeito.

Leia Também:  Dinheiro dos contribuintes

É fundamental que a Nova Rota do Oeste e o poder público revejam esse modelo de execução de obras, incorporando soluções que contemplem também quem vive às margens da rodovia. O progresso não pode passar em alta velocidade ignorando quem está ao lado dele.

Se a duplicação da BR-163 representa o futuro de Mato Grosso, então esse futuro precisa incluir todos — inclusive as comunidades que sustentam, no dia a dia, a realidade dessa rodovia.
Como vereadora e cidadã protocolei pedidos de providências visando humanizar e proporcionar essa infraestrutura adequada a realidade da população do posto Gil em Diamantino MT.

Porque desenvolvimento de verdade não é apenas chegar mais rápido a um destino distante.

É garantir que ninguém fique para trás no caminho.

Dra Monnize da Costa Dias Zangeroli – Médica e Vereadora por Diamantino (MT)

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade