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POLÊMICA NO LEGISLATIVO

Câmara de Cuiabá inicia 2026 com “supersalários”; valores podem ultrapassar R$ 3 milhões

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Janeiro mal começou e a nova legislatura da Câmara de Cuiabá já abriu espaço para um gasto milionário. Quatorze dos 27 vereadores receberam contracheques que ultrapassaram os R$ 111 mil no primeiro mês de 2026, impulsionados pela conversão integral de férias em dinheiro — um benefício autorizado pelo próprio Legislativo no fim do ano passado.

Somados, os pagamentos brutos do grupo chegaram a R$ 1,532 milhão. Cada um dos parlamentares que aderiu ao chamado abono pecuniário recebeu R$ 85.284 de subsídio mensal acrescido de R$ 26.406 pela venda de 30 dias de descanso. A exceção foi o Tenente-Coronel Dias (Cidadania), que optou por converter apenas 10 dias e recebeu cerca de R$ 80,3 mil.

A medida foi regulamentada por resolução aprovada pela própria Câmara, permitindo que os vereadores negociem 100% das férias, prática que não é permitida a trabalhadores da iniciativa privada regidos pela CLT, os quais só podem vender até um terço do período.

Se os 13 parlamentares que ainda não aderiram decidirem fazer o mesmo até dezembro, o impacto exclusivo com a conversão de férias pode alcançar R$ 3.015.657 ao longo do ano. A estimativa indica que aproximadamente R$ 1,45 milhão ainda precisaria ser reservado no orçamento para cobrir a eventual adesão dos demais.

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Entre os que já receberam os valores estão:

  • Adevair Cabral (Solidariedade) – R$ 111.691

  • Cezinha Nascimento (União Brasil) – R$ 111.691

  • Chico 2000 (sem partido) – R$ 111.691

  • Demilson Nogueira (PP) – R$ 111.691

  • Drª Mara (Podemos) – R$ 111.691

  • Eduardo Magalhães (Republicanos) – R$ 111.691

  • Jefferson Siqueira (PSD) – R$ 111.691

  • Kássio Coelho (Podemos) – R$ 111.691

  • Marcrean Santos (MDB) – R$ 111.691

  • Marcus Britto Junior (PV) – R$ 111.691

  • Mário Nadaf (PV) – R$ 111.691

  • Rafael Ranalli (PL) – R$ 111.691

  • Sargento Joelson (PSB) – R$ 111.691

O pagamento alcançou inclusive o vereador Chico 2000, afastado judicialmente e investigado na Operação Gorjeta, da Polícia Civil, por suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Em nota, a Câmara contestou a cifra global de R$ 1,5 milhão, alegando que o montante inclui os subsídios mensais já previstos no orçamento anual. Segundo a Casa, o impacto direto da venda das férias gira em torno de R$ 500 mil.

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