A cada período pré-eleitoral, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso volta ao centro das discussões políticas. Surgem especulações sobre possíveis aposentadorias antecipadas e articulações para ocupação de cadeiras. Porém, oficialmente, a primeira vaga no TCE será aberta apenas em 1º de agosto de 2027, quando o conselheiro Valter Albano completará 75 anos e deverá se aposentar compulsoriamente. Até lá, não há previsão concreta de mudanças, a não ser que algum membro decida antecipar a saída.
Segundo a Constituição Estadual, o TCE é composto por sete conselheiros quatro indicados pela Assembleia Legislativa e três pelo Poder Executivo. Mesmo que Albano tenha sido escolhido por indicação do governo, essa vaga será obrigatoriamente preenchida por um membro de carreira do Ministério Público de Contas (MPC), conforme determina a legislação.
Sucessões programadas até 2031
A partir de 2027, inicia-se uma sequência de aposentadorias:
2027 – Valter Albano: primeira vaga aberta; será ocupada por procurador do MPC.
2028 – Waldir Teis: indicado pela Assembleia, a vaga volta para o Legislativo.
2029 – José Carlos Novelli: vaga do Executivo, destinada a auditores substitutos de conselheiro.
2031 – Antônio Joaquim: indicação de livre escolha do governador eleito em 2030.
Outros conselheiros chegam à aposentadoria mais tarde: Sérgio Ricardo (2033), Guilherme Maluf (2038) e Domingos Neto (2048) — todos com vagas reservadas à Assembleia Legislativa.
Essa programação, caso siga o curso natural, deve reduzir as especulações mais intensas que historicamente cercam o Tribunal, embora nos bastidores a disputa já esteja em andamento.
Alisson Alencar desponta como favorito para a vaga de 2027
Para a primeira vaga disponível, o favorito absoluto é o procurador-geral de Contas, Alisson Carvalho de Alencar. Ele deve integrar a lista tríplice que será enviada ao próximo governador, e sua escolha é tratada como praticamente certa entre membros do MPC e parlamentares.
O favoritismo é tão consolidado que a Assembleia Legislativa alterou recentemente a ordem de indicação das carreiras, colocando primeiro os procuradores de Contas e só depois os auditores substitutos. A mudança foi vista como um gesto político que reforça a preferência por Alencar.
Na vaga destinada aos auditores prevista após 2029 o principal cotado é Luiz Carlos Pereira.
Disputa política: deputados tentam se posicionar
Mesmo sem vaga aberta antes de 2027, a movimentação política não parou. Entre os deputados, Eduardo Botelho (União) segue como o favorito caso uma vaga destinada à Assembleia seja aberta por aposentadoria antecipada hipótese que, embora comentada em bastidores, tem sido rejeitada pelos conselheiros após o retorno às funções e após os impactos da Operação Ararath.
Outros parlamentares também demonstram interesse:
Sebastião Rezende (União): disputa o posto desde a época da indicação de Guilherme Maluf.
Dilmar Dal Bosco (União): líder do governo, já comunicou colegas sobre sua intenção de concorrer à vaga quando houver oportunidade.
Entretanto, conselheiros teriam firmado um acordo informal para não anteciparem aposentadorias, como forma de evitar especulações e barganhas políticas que historicamente atingiram a imagem da Corte.
Cenário estabilizado, mas disputa já começou
Mesmo que a primeira vaga só se abra em 2027, o tabuleiro político já está montado. O TCE, peça-chave na fiscalização dos gastos públicos do Estado, continuará no centro das articulações entre Executivo, Legislativo e Ministério Público de Contas nos próximos anos com o procurador Alisson Alencar largando na frente na corrida pela próxima cadeira.
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