O clima diplomático entre Brasil e Estados Unidos vive um de seus momentos mais tensos em décadas. A disputa, que já envolve tarifas elevadas, restrições de viagens e embates judiciais, agora pode ganhar um novo capítulo, segundo o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, ele afirmou que o governo americano avalia ampliar sanções contra autoridades brasileiras, especialmente magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvidos no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Eduardo, que tem se comportado como uma espécie de “embaixador informal” do ex-presidente Donald Trump, disse ter se reunido com integrantes da administração americana e afirmou que há “uma série de medidas” sobre a mesa. Entre elas, estariam novas sanções, suspensões de vistos e até mudanças tarifárias, com foco no ministro Alexandre de Moraes, relator do processo contra seu pai.
A Casa Branca e o Departamento de Estado americano não comentaram as declarações. No entanto, o histórico recente mostra que a relação entre as duas maiores democracias das Américas atravessa seu pior momento em dois séculos. Trump já elevou tarifas sobre o Brasil para 50% e proibiu oito ministros do STF de viajarem aos Estados Unidos, em reação ao julgamento de Bolsonaro e às regulações do tribunal sobre plataformas de redes sociais de origem americana.
Escalada política e judicial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu de forma dura às medidas, classificando-as como pressão “inaceitável” e reafirmando que o julgamento seguirá normalmente. Moraes, por sua vez, não recuou diante das sanções. Pelo contrário: determinou a prisão domiciliar de Bolsonaro por descumprir proibição de uso das redes sociais, além de vetar a comunicação entre pai e filho. Segundo o ministro, ambos teriam buscado apoio externo para interferir no processo.
Para Eduardo Bolsonaro, essa postura indica que Moraes “esgotou todas as suas opções”, enquanto Trump “ainda tem a opção de dobrar sua aposta diante da reação”. O deputado chegou a sugerir que o governo americano sancione também a esposa do magistrado, mencionando suposta ligação com “seu braço financeiro”.
As sanções aplicadas até agora seguem o modelo Magnitsky, que congela ativos nos Estados Unidos e proíbe empresas e cidadãos americanos de negociar com o alvo. Ao anunciar as medidas, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, acusou Moraes de “censura, detenções arbitrárias e processos politizados”.
O ministro é figura polarizadora no Brasil. Para aliados, atua na defesa da democracia e combate à desinformação. Para críticos, ultrapassa os limites constitucionais e persegue adversários políticos, especialmente conservadores.
Pressão internacional
Eduardo também afirmou que pretende ampliar sua campanha à Europa, buscando que a União Europeia adote sanções semelhantes às americanas. Ele citou apoio de líderes como André Ventura, do partido português Chega, que teria defendido a proibição da entrada de Moraes em Portugal e o congelamento de ativos no país, com base em leis de direitos humanos.
Enquanto isso, a disputa diplomática parece longe de arrefecer. O julgamento de Bolsonaro segue em suas fases finais, e cada novo movimento judicial ou político aumenta o atrito entre Brasília e Washington. A possibilidade de novas retaliações, somada à retórica inflamada de ambos os lados, reforça o cenário de incerteza para as relações bilaterais nos próximos meses.


























