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1º DO BRASIL

No Pará, o auge das operações ilegais revela “mega milionários” forjados da noite para o dia; as sombras da mineração ilegal e a conivência da justiça ecoam no cenário do garimpo nacional

Aeronave modelo Cessna Citation Longitude; no detalhe, o empresário Valdinei Souza, primeiro a comprar o modelo no Brasil Reprodução

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No coração da floresta amazônica, o maior garimpo do Estado do Pará, pertencente ao empresário Ney Mauro, se torna um símbolo das práticas duvidosas que permeiam o setor. Ney não é estranho aos holofotes: ele já viveu dias de glória como manchete em jornais, acusado de envolvimento com empresas fantasma e uma seara de processos judiciais. Mas ele não está sozinho nessa jornada repleta de controvérsias.

Valdinei Mauro de Souza, conhecido como “Ney do Garimpeiro”, é outro nome que ressoa nas investigações da Polícia Federal. O empresário, juntamente com seu ex-sócio Mauro Mendes, já esteve no foco de ações judiciais relacionadas à Mineração Casa de Pedra em Mato Grosso. Acusações de mineração ilegal, contrabando e o uso de mercúrio sem autorização são apenas a ponta do iceberg em um mar de irregularidades.

A *Operação Hermes*, deflagrada em 2022, desnudou um esquema clandestino que envolvia contrabando e uso ilegal de mercúrio na produção de ouro. A Mineração Casa de Pedra, coração pulsante desse esquema, já recebeu denúncias por garimpo ilegal no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães. Consequentemente, o Ministério Público Federal não hesitou em mover uma ação civil pública por improbidade administrativa contra Valdinei, Mauro Mendes e a sua filha, Jéssica Cristina de Souza, entre outros.

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Por fim, a Justiça Federal chegou a indisponibilizar os bens dos acusados, um esforço para coibir o avanço dos crimes. No entanto, a mágica do poder econômico fez os bens de Valdinei serem liberados em 2023, após a sua defesa alegar que o mercúrio tinha origem legal e que as suas atividades não eram danosas ao meio ambiente. Essa narrativa soa como um alentador sinal àqueles que preferem andar à margem da lei no Brasil.

Entre as principais acusações que pairam sobre Valdinei estão o uso ilegal de mercúrio, contrabando de ouro e a criação de empresas de fachada. É irônico notar que um simples garimpeiro, com pá e enxada, possa transitar para a elite dos megas milionários de forma tão abrupta. Para isso, questionam-se: onde estão o Ministério Público, a Receita Federal e os órgãos de fiscalização que deveriam garantir a justiça?

Valdinei Mauro de Souza, conhecido como Nei Garimpeiro, se tornou o primeiro brasileiro a comprar um Cessna Citation Longitude do Brasil. O jato possui alta performance e conforto, projetado para voos executivos de longa distância, com capacidade para até 12 passageiros e tecnologia de ponta. Fabricada pela Textron Aviation, a aeronave foi importada pela empresa Comexport e custa em torno de US$ 26 milhões, ou seja, cerca de R$ 144 milhões. O jato foi entregue a Nei, na última semana, pela empresa TAM Aviação Executiva.

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Assim, fica a indagação: que país é esse, onde os escândalos de mineração e a riqueza emergem em meio a práticas ilegais, lembrando as letras de Renato Russo? Nós resta apenas observar e questionar: a garimpagem de ouro é realmente um atalho para a fortuna, ou apenas a fachada de um sistema corrompido?

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