O boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar e pela Polícia Civil trouxe um relato detalhado do ataque que resultou na morte da professora Juliana Mattos de Lima Santiago, de 41 anos, ocorrido na noite de sexta-feira (6), dentro das dependências da Faculdade FIMCA, em Porto Velho.
De acordo com o documento oficial, o crime foi tipificado como homicídio qualificado consumado, caracterizado como feminicídio, por ter sido praticado contra uma mulher em razão da condição de sexo feminino, no contexto de uma relação íntima de afeto, com indícios de motivo torpe e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.
ENTENDA O CASO E VEJA OS VÍDEOS:
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Atendimento da ocorrência
Conforme o boletim, por volta das 21h50, policiais militares do 9º Batalhão realizavam patrulhamento quando receberam, via CIOP, a informação de que uma professora havia sido esfaqueada por um aluno dentro da faculdade. A guarnição se deslocou imediatamente ao local.
Ao chegar à instituição, os policiais foram informados pela equipe de segurança de que a vítima já havia sido socorrida por terceiros em um veículo particular para o Hospital João Paulo II. O autor do ataque, no entanto, encontrava-se detido em uma sala próxima ao local do crime.
Cena do crime
Na sala onde ocorreu o ataque, os policiais encontraram grande quantidade de sangue espalhada pelo chão, além de um móvel tombado, indicando luta e violência intensa. No local foram apreendidos:
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uma faca do tipo punhal, com a lâmina separada do cabo,
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um óculos de grau,
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um relógio dourado com a pulseira danificada,
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uma mochila azul,
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e um aparelho celular da marca Samsung, que exibia na tela de bloqueio a imagem da própria vítima.
Todo o material foi recolhido e anexado à ocorrência como prova.
Prisão do autor
Em uma sala ao lado, os policiais localizaram o autor, identificado como João Cândido da Costa Junior, sentado, com as mãos posicionadas para trás. Ele apresentava lesões visíveis no braço esquerdo e na perna direita.
O suspeito foi inicialmente encaminhado à UPA Sul para atendimento médico e, posteriormente, conduzido ao Departamento de Flagrantes, onde teve a prisão formalizada.
Socorro e morte da professora
A professora Juliana foi levada ao Hospital João Paulo II, mas, segundo a equipe médica, deu entrada já sem sinais vitais. O boletim aponta que ela apresentava duas perfurações no tórax, uma do lado direito e outra do lado esquerdo, além de uma laceração grave no braço direito, lesões compatíveis com golpes de faca.
O corpo foi acondicionado em saco próprio e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).
Relatos das testemunhas
O boletim reúne relatos de várias testemunhas que presenciaram os momentos antes e depois do ataque.
O acadêmico Fábio F. de O., que também é policial militar, contou que estava em uma sala ao lado quando ouviu gritos e barulho de cadeiras sendo quebradas. Ao sair, viu alunos correndo, a professora sangrando intensamente e o autor fugindo. Ele determinou que a vítima fosse socorrida e passou a perseguir o suspeito, conseguindo detê-lo na parte inferior do prédio.
O professor e delegado da Polícia Civil João G. M. de S. relatou que, ao encerrar sua aula, ouviu a confusão e desceu do primeiro piso, onde encontrou o autor imobilizado por outras pessoas. Ele confirmou que a professora apresentava ferimentos no braço e no tórax e que já estava sem reação quando foi levada ao hospital. O delegado também afirmou que circulavam comentários entre alunos de que a vítima mantinha ou teria mantido um relacionamento amoroso com o autor.
Já o acadêmico José F. S. S. contou que ouviu um barulho de objeto caindo, entrou na sala e encontrou a professora caída no chão, tentando estancar o sangramento do braço. Durante o socorro, percebeu que também havia sangramento intenso na região do tórax.
Relato do próprio autor
Durante o atendimento médico e em contato com a polícia, o autor afirmou que mantinha um relacionamento amoroso com a professora há cerca de três meses. Segundo ele, no último mês, percebeu um distanciamento por parte da vítima, que passou a não responder mensagens.
O suspeito relatou que ficou emocionalmente abalado após visualizar, em um aplicativo de mensagens, um status da professora ao lado de seu ex-companheiro, o que teria intensificado seus sentimentos de raiva e rejeição.
Ainda conforme o boletim, o próprio autor admitiu que, no dia do crime, aguardou os demais alunos saírem da sala para ficar sozinho com a professora. Ele iniciou uma conversa sobre o relacionamento e, após uma discussão, foi tomado por intensa raiva, desferindo diversos golpes de faca, sem conseguir precisar quantos.
Após o ataque, tentou fugir, mas foi contido por pessoas que estavam no local.
O suspeito reconheceu formalmente como seus os objetos encontrados na cena do crime, incluindo mochila e relógio. Todo o material foi apreendido e entregue à autoridade policial.
O caso segue sob investigação da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Vida, que dará continuidade aos trabalhos para conclusão do inquérito.





























