O Panamá iniciou, nesta segunda-feira (12), o julgamento do ex-presidente Ricardo Martinelli, atualmente exilado na Colômbia, e de cerca de vinte réus por suposta lavagem de dinheiro. O caso envolve recursos oriundos de propinas pagas pela Odebrecht para obtenção de contratos públicos no país.
A construtora admitiu em 2016, em tribunal dos Estados Unidos, o pagamento de mais de 788 milhões de dólares em subornos, sobretudo na América Latina. No Panamá, a empresa reconheceu 59 milhões de dólares em propinas durante o governo Martinelli, ligadas a obras como o metrô, a rodovia costeira e a expansão do aeroporto.
Ao chegar ao tribunal, a promotora anticorrupção Ruth Morcillo afirmou: “O Ministério Público está preparado e apresentará sua acusação para a condenação dos réus por lavagem de dinheiro”. Segundo a acusação, ordens de pagamento da Odebrecht teriam beneficiado Martinelli como destinatário final, com “pleno conhecimento da procedência ilícita”.
Martinelli, que acompanha a audiência de forma virtual, enfrenta pedido de pena de 12 anos. Sua defesa nega irregularidades e sustenta motivação política. À AFP, o advogado Carlos Carrillo declarou: “Uma série de garantias processuais foram violadas em uma tentativa de condená-lo acima da lei. Este caso é inteiramente político”.
O processo sofreu cinco adiamentos por trâmites legais e também alcança outras figuras políticas. O ex-presidente Juan Carlos Varela e dois filhos de Martinelli são citados, mas terão julgamento separado pela Suprema Corte, devido à imunidade parlamentar. Ambos, assim como Martinelli, estão proibidos de entrar nos Estados Unidos.



























