O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (23) a abertura de um inquérito da Polícia Federal (PF) para investigar o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão foi tomada após solicitação da corporação, acompanhada de parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), que considerou haver elementos suficientes para aprofundar as investigações.
A Polícia Federal pretende esclarecer a origem e a destinação de recursos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do longa-metragem. A principal suspeita é de que parte do dinheiro enviado aos Estados Unidos não tenha sido empregada exclusivamente no filme e possa ter sido utilizada para custear despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que reside no país desde fevereiro de 2025.
As investigações ganharam força após a divulgação, pelo site The Intercept Brasil, de mensagens em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, solicita recursos a Vorcaro para viabilizar a produção cinematográfica. Em junho, a PF já avaliava abrir apurações sobre três frentes: os repasses de R$ 61 milhões atribuídos ao ex-banqueiro, o suposto uso de parte desses valores em benefício de Eduardo Bolsonaro e a destinação de emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora responsável pelo filme.
Com a decisão de André Mendonça, o novo inquérito ficará concentrado na análise dos repasses destinados à cinebiografia e na eventual utilização dos recursos por Eduardo Bolsonaro. A investigação sobre possíveis emendas parlamentares vinculadas ao projeto continuará tramitando separadamente em outro procedimento no Supremo.
Segundo a Polícia Federal, os R$ 61 milhões teriam sido transferidos pela empresa Entre Investimentos e Participações, apontada como integrante do grupo de empresas ligado ao antigo Banco Master, para um fundo sediado nos Estados Unidos responsável pelo financiamento de Dark Horse. Os investigadores buscam confirmar o montante efetivamente repassado, verificar se os recursos foram aplicados na produção do filme e apurar se houve desvio para outras finalidades. A PF também pretende esclarecer se os pagamentos poderiam estar relacionados a eventual favorecimento político envolvendo Flávio Bolsonaro ou integrantes de seu grupo.
Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade. O senador afirma que apenas buscou financiamento privado para a realização da obra e sustenta que os aportes foram destinados exclusivamente a um fundo específico da produção, submetido à estrutura jurídica e à fiscalização das autoridades norte-americanas. Eduardo Bolsonaro também rejeita as suspeitas e afirma que se mudou para os Estados Unidos alegando perseguição política, além de dizer que teve contas bancárias bloqueadas, inclusive as de sua esposa.





























