Na contramão de um cenário de escassez e restrições fiscais, o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, demonstra que a verba para publicidade está longe de ser uma preocupação. Mesmo com o Estado oficialmente em calamidade financeira, Brunini firmou contratos com quatro agências de publicidade da administração passada, totalizando impressionantes 48 milhões de reais, por meio de dispensa de licitação. As agências contratadas, DMD, Renca e JFirminio, são as mesmas que prestaram serviços durante a gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro, e cada uma receberá 12 milhões em um contrato de 12 meses.
O discurso do prefeito, que ecoa a crise financeira, parece perder força diante desse investimento. Para muitos, a situação é um verdadeiro enigma: como a Prefeitura pode alocar uma quantia tão significativa em comunicação enquanto enfrenta um quadro crítico de gestão financeira? “Ele é um excelente ator de telenovelas”, ironiza um morador da capital, refletindo o ceticismo da população diante das prioridades do governo.
Enquanto os holofotes estão voltados para as produções publicitárias que embelezam a imagem do prefeito nas redes sociais, a realidade nas ruas é muito diferente. Com a infraestrutura da cidade em frangalhos, motoristas e pedestres enfrentam diários desafios devido à quantidade de buracos nas vias urbanas. A crítica é incisiva: “Os donos de veículos estão nas oficinas consertando seus carros, enquanto o prefeito continua atuando em sua novela. Quando terminará essa trama?” questiona um cidadão em meio a uma avenida esburacada.
Atrasos nos Pagamentos e Descontentamento no Setor Gastronômico**
A situação não é melhor para os empreendedores locais. Muitos donos de restaurantes que fazem parte de programas como o “Prato Cheio” têm denunciado atrasos nos pagamentos por parte da prefeitura. Esse atraso não é apenas um obstáculo na relação entre o governo e os empresários, mas traduz-se em crises financeiras que ameaçam a operação de diversos estabelecimentos.
“As contas não esperam”, lamenta um proprietário de restaurante, que já viu seu fluxo de caixa ser comprometido pelas demoras nos repasses. Essa realidade, que fere a base do sustento de muitas famílias, contrasta de forma gritante com os investimentos em marketing que dominam as atenções da administração municipal.
Diante de tudo isso, surge uma pergunta pertinente: é realmente sensato investir tanto em publicidade enquanto questões fundamentais para o bem-estar da população permanecem sem solução? A história da gestão de Abílio Brunini, marcada pela ostentação de um controle financeiro que parece inexistente nas ruas de Cuiabá, continua a ser reescrita, e o fim dessa novela ainda está longe de uma conclusão satisfatória. Enquanto os capítulos se acumulam, a esperança da população é que mudanças efetivas cheguem antes que o último ato se desenrole.





























