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Dentistas do SUS

Além disso, o comparecimento dos campo-grandenses na consulta gera um dado falso de resolutividade dos serviços

Ilustrativa / Arquivo TopMídiaNews/André de Abreu

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Uma denúncia apresentada na 26ª Reunião Ordinária do Conselho Municipal de Saúde de Campo Grande escancarou ainda mais o cenário crítico no atendimento odontológico da rede pública e levantou suspeitas sobre a distorção de dados oficiais da prefeitura.

Segundo os conselheiros, dentistas estariam registrando atendimentos que, na prática, não resultam em procedimentos, devido à falta de equipamentos básicos nas unidades de saúde.

De acordo com o relato feito durante a reunião, até cerca de 30 dias atrás, pelo menos 29 compressores odontológicos estavam quebrados em postos de saúde da Capital. O problema teria afetado mais de 70 cirurgiões-dentistas, que ficaram impossibilitados de realizar procedimentos clínicos. O compressor é considerado essencial para o funcionamento do consultório, já que alimenta equipamentos como a caneta de alta rotação e o sugador.

Mesmo sem condições técnicas de atendimento, os profissionais estariam sendo orientados a chamar os pacientes agendados apenas para informar sobre a quebra dos equipamentos, dar orientações ou prescrever medicação. Ainda assim, esse contato estaria sendo lançado no sistema como “atendimento realizado”.

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“Isso gera número, gera dado, mas não gera assistência”, afirmou um dos conselheiros durante a reunião. Segundo ele, a prática cria uma produtividade apenas estatística, já que os relatórios indicam que a fila avançou, enquanto os pacientes voltam para casa com dor e sem solução para o problema odontológico.

Durante o debate, os conselheiros também questionaram dados apresentados pela gestão municipal que indicariam pouca redução no número de atendimentos odontológicos. Para o Conselho, esses números não refletem a realidade das unidades e precisam ser retificados para não “enganar a população”.

“O paciente senta na cadeira, conversa com o profissional, recebe uma explicação ou encaminhamento, mas mais de 95% dos procedimentos que poderiam ser feitos não são realizados”, relataram os participantes.

O alerta aponta ainda que esses dados inflados estariam sendo utilizados pela prefeitura para justificar o cumprimento de metas no Relatório Anual de Gestão (RAG). Para os conselheiros, a prática mascara o colapso da infraestrutura do serviço odontológico e desvirtua o uso das estatísticas públicas.

“A realidade é que gera procedimento e gera atendimento no papel, mesmo sem nenhuma resolutividade para o paciente, seja por falta de equipamento, insumos ou manutenção”, reforçou um dos conselheiros.

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