O ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023 marcou uma nova etapa do conflito no Oriente Médio envolvendo os territórios palestinos. Desde então, a guerra na Faixa de Gaza e o avanço da colonização na Cisjordânia passaram a influenciar também a dinâmica regional, incluindo as tensões com o Irã.
Para parte dos analistas, as ações contra Teerã são consequência indireta desse cenário. Avalia-se que Israel e os Estados Unidos estariam explorando fragilidades econômicas iranianas — agravadas por sanções ocidentais — e divisões políticas internas para enfraquecer o chamado “Eixo da Resistência”, rede de grupos apoiados pelo Irã que se opõem à política israelense e norte-americana na região.
Entre esses grupos estão o Hezbollah, no Líbano; o próprio Hamas; e os Houthis, no Iêmen. A instabilidade na Síria, aliada histórica de Teerã, também é apontada como parte desse rearranjo geopolítico.
O professor Bruno Huberman, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), afirmou que o Irã ocupa posição central na oposição às diretrizes de Washington e Tel-Aviv no Oriente Médio. Segundo ele, a solidariedade à causa palestina integra o projeto político iraniano desde a Revolução de 1979.
Na avaliação do pesquisador, o enfraquecimento do Irã poderia abrir espaço para que EUA e Israel reorganizem o equilíbrio regional, inclusive com possíveis impactos sobre a Cisjordânia. Ele observa que, após períodos de trégua em Gaza, houve avanço de medidas relacionadas à ocupação de territórios palestinos.
Direito internacional em debate
Outros especialistas ponderam que não é possível estabelecer uma relação direta entre os ataques de 7 de outubro e as ações contra o Irã, embora reconheçam conexões no contexto mais amplo.
A professora Rashmi Singh, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), argumenta que a guerra em Gaza contribuiu para um ambiente de aplicação seletiva do direito internacional por parte de potências ocidentais. Para ela, esse cenário teria influenciado a forma como ações militares na região vêm sendo tratadas diplomaticamente.
Singh destaca que, apesar do apoio iraniano a grupos palestinos, a causa palestina não depende exclusivamente de Teerã ou de qualquer ator externo, sendo sustentada também por fatores internos e regionais.
Influência regional
A professora Karina Stange Caladrin, do Ibmec São Paulo, avalia que a guerra em Gaza “regionalizou” a dinâmica de segurança no Oriente Médio. Segundo ela, Israel passou a tratar o chamado eixo de resistência — que reúne Hamas, Hezbollah, Houthis e outras milícias — como parte de um mesmo tabuleiro estratégico, tendo o Irã como principal patrocinador.
Nesse contexto, a escalada contra Teerã também poderia reduzir o protagonismo da pauta palestina no noticiário internacional. Ao mesmo tempo, uma ampliação do conflito tende a intensificar polarizações e mobilizações simbólicas em torno da Palestina, sem que isso necessariamente resulte em avanços políticos concretos.
A origem da causa palestina
O conflito israelense-palestino é frequentemente associado à criação de Israel, em 1948. Naquele ano ocorreu a Nakba (“catástrofe”, em árabe), quando centenas de milhares de palestinos foram deslocados de suas terras e vilas foram destruídas.
A chamada causa palestina passou a se estruturar em torno do direito de retorno dos refugiados e da defesa da criação de um Estado palestino independente. Israel, por sua vez, contesta propostas que envolvam mudanças territoriais consideradas estratégicas para sua segurança.
Mais de sete décadas depois, o conflito permanece no centro das disputas geopolíticas do Oriente Médio, agora inserido em um cenário ainda mais amplo de rivalidades regionais e internacionais.





























