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INCLUSÃO E CIDADANIA

Advogado defende ampliação da rede de atendimento a autistas em Mato Grosso

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A criação do Dia Nacional do Orgulho Autista, celebrado em 18 de junho e instituído pela Lei Federal nº 15.365/2026, reacendeu o debate sobre a necessidade de fortalecer as políticas públicas voltadas às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em Mato Grosso. Para o advogado Irajá Lacerda, a nova data deve servir não apenas para conscientização, mas também para estimular avanços concretos nos serviços oferecidos à população.

Dados do Censo Demográfico de 2022 apontam que o Brasil possui cerca de 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de TEA, o equivalente a 1,2% da população. Em Mato Grosso, mais de 41 mil moradores declararam possuir o transtorno.

Segundo Irajá, um dos principais desafios está na garantia do acesso a serviços especializados, especialmente nos municípios do interior. Ele ressalta que o diagnóstico precoce e o acompanhamento multiprofissional são fundamentais para promover o desenvolvimento, a autonomia e a qualidade de vida das pessoas autistas.

A realidade é vivenciada por diversas famílias mato-grossenses. Em Confresa, na região do Araguaia, mães de crianças com autismo relatam dificuldades para obter consultas com especialistas e acesso contínuo a terapias como fonoaudiologia, psicologia e terapia ocupacional. Também há reclamações sobre a falta de profissionais de apoio nas escolas.

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Moradora do município e mãe de duas crianças diagnosticadas com TEA, Claudia Alice Alencar Costa afirma que a distância dos grandes centros agrava os obstáculos enfrentados diariamente pelas famílias. Segundo ela, a carência de neurologistas, fonoaudiólogos e profissionais de suporte educacional dificulta tanto o tratamento quanto o processo de inclusão escolar.

O cenário também se reflete na educação. Dados do Censo Escolar de 2024 mostram que o número de estudantes com autismo matriculados na educação básica cresceu 44,4% em apenas um ano, passando de 636 mil para mais de 918 mil alunos em todo o país.

Para Irajá, o aumento da demanda evidencia a necessidade de ampliar a estrutura da rede pública de ensino. Ele defende investimentos em formação de professores, fortalecimento das salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE) e ampliação do número de profissionais de apoio para garantir uma inclusão efetiva.

O advogado reconhece avanços recentes, como a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), mas avalia que o acesso a direitos precisa ser acompanhado pela expansão dos serviços públicos. Segundo ele, é necessário descentralizar o atendimento para assegurar que famílias de municípios distantes tenham acesso à mesma estrutura disponível nos grandes centros.

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