O advogado Rodrigo da Costa Ribeiro, preso em flagrante durante a Operação Efatá, responde a várias outras denúncias anteriores, entre elas duas por violência doméstica e agressões contra familiares.
Rodrigo foi detido em seu apartamento no condomínio Brasil Beach, em Cuiabá, onde policiais encontraram uma pistola 9 mm. Ele é investigado por participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas, que teria movimentado cerca de R$ 300 milhões por meio de contas bancárias de integrantes e familiares da facção criminosa Comando Vermelho.
Em um boletim de ocorrência registrado em 2024, a namorada de Rodrigo relatou ter sido agredida dentro do apartamento no condomínio de luxo, onde os dois moravam havia cerca de três meses.
A vítima acionou o Ciosp enquanto aguardava a polícia na garagem do prédio. Segundo o registro, ela estava chorando, se queixava de dores nos rins e tinha várias lesões nos braços, além de ter solicitado atendimento médico do Samu.
A versão do advogado é que teria apenas “discutido” com a companheira, alegando que ela teria danificado seu notebook. Ele apresentava marcas de mordidas no tórax, que atribuiu à vítima. Na ocasião, Rodrigo foi levado à Delegacia da Mulher e liberado.
Outro boletim, dessa vez de 2020, foi registrado pela própria mãe do advogado. Ela afirma que o filho “sempre fez torturas psicológicas”, a chamando de “satanás”, a desrespeitando e intimidando.
No dia do registro, a mulher relatou que Rodrigo “virou a mão” no rosto dela, acertando seu olho, depois que ela tocou o ombro dele durante uma conversa. Ao ser orientado a deixar o local, ele teria respondido com xingamentos e ofensas.
No total, são 15 boletins de ocorrência contra Rodrigo.
Apologia ao crime
Como o Mídia Jur já divulgou com exclusividade, há outros boletins de ocorrência contra Rodrigo por apologia ao crime.
O boletim de ocorrência foi registrado em 29 de outubro, em denúncia anônima. Segundo o registro, logo após a megaoperação realizada no Rio de Janeiro contra traficantes do Morro de Alemão e Penha, Rodrigo teria compartilhado no grupo de WhatsApp do condomínio uma música considerada “hino” do Comando Vermelho, intitulada “Coração Vermelho”.
A música contém versos que exaltam a história, a ideologia e lideranças da organização criminosa Comando Vermelho.
“Aqui não tem traição. Respeito é tradição. O bonde tá fechado, coração vermelho tá sempre em ação. Coração vermelho, disciplina protege os irmãos, não deixa ruína. Na favela é lei, tem que ser leal. Se entrar no jogo, não pode falhar. O lema era paz, justiça e respeito. Mas o mundo do crime não tem sentimento”, diz a música.
Suspenso pela OAB-MT
Após a prisão do advogado na Operação Efatá, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) abriu processo de suspensão preventiva contra Rodrigo da Costa Ribeiro.
O Tribunal de Ética e Disciplina determinou a medida imediatamente após tomar conhecimento das acusações. A OAB informou ainda que solicitou dados à Secretaria de Segurança Pública para dar andamento às demais providências disciplinares.
A operação, conduzida pela Denarc, também cumpriu 148 mandados judiciais, entre buscas, apreensões e bloqueio de aproximadamente R$ 41 milhões em bens.
O caso segue em investigação pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.




























