O encontro estava marcado para as 18h30min, mas não se exigia pontualidade, que nunca foi o nosso forte. Caminho pela Rua Brigadeiro Eduardo Gomes na boca da noite fria de outono, garoava. Sentindo frio nas orelhas e mãos, cheguei ao bar, local do colóquio, vizinho da Pracinha Presidente Dutra.
A reunião já ocorrera em outros bares. No ambiente alegre e ruidoso, as garçonetes simpáticas, o ótimo acolhimento, cardápio variado, quitutes árabes, biritas de mil cantos e sabores ― destilados, fermentados, licores. Mas ali, naquele encontro, o que mais inebriava o ânimo de cada amigo era a presença do outro à mesa tão bem servida. A alegria vinha de estar com amigos queridos, de revê-los, de conversar com eles, de abraçá-los …
Desde sempre Paulo Kennedy foi e segue sendo o organizador e motivador da confraternização. Figura agregadora, homem cordial, sabe cultivar amizades e atrai afetos. Paulo tem nele encarnado o espírito da amizade.
Éramos umas vinte pessoas. No entusiasmo reinante, ouviam-se palavras e risos, mais risos do que palavras. A temática variada incluía causos normalmente inconfessáveis. Velhas histórias recontadas ainda faziam rir como contadas da primeira vez.
Questões políticas foram evitadas: não se devia correr o risco de desagregação de amigos. Assim nos divertíamos nós, os setentões +. Na doce companhia dos amigos, o papo rolando gostoso, enquanto as biritas serviam de proteção contra o frio, aquecendo também a alma.
Estavam presentes Antônio Carlos Candia e o irmão Júlio, os manos Ito e Nane Muller, Salim Nadaf, João Batista Epaminondas, Enzo Ricci, Fernando & Haroldo Arruda, Jerulino Aquino, Paulinho Andrade & Moura, Olegário Mariano, Augusto César, Dito Figueiredo, Edson Bussik, Walmir Leite, Adalberto Lebrinha, Henrique Vieira.
Rubem Mauro, aloitando com os netos, deixou de comparecer, assim como outros companheiros. Paulo Figueiredo e o irmão Mário justificaram-se por “constipação” ― como se diz em Portugal. Berinho Garcia avisou que estaria colhendo figos no Magrebe.
Bill Arruda estava preso em Chapada, como que por um fog londrino. Jean Biancardini, que mora no Segundo Distrito, não sai de casa se faz frio. Rui Fernandes, com quadrante na órbita de Saturno, preferiu não desafiar a configuração astral e também ficou em casa. Dito El Hage (Manequim), diante da crise existencial de Jou-Jou, a sua bichana, permanece no lar, desvelado em mil cuidados para com a fofa felina.
Nós nos lembramos de João Nince, o “João Bafonça”. Ah! Esses encontros logo só existirão na memória dos amigos que restarem vivos. Enquanto não morrer o último de nós, seremos todos lembrados nos festivos momentos de nossos encontros.
Paulo Modesto Filho é engenheiro civil e doutor em Meio Ambiente e Biologia Aplicada (UCL-Bélgica).




























