Pesquisar
Close this search box.
RECOMEÇO APÓS VÍCIO

Jovem troca salário de R$ 10 mil por trabalho no semáforo após perder R$ 500 mil em apostas

publicidade

O jovem Gustavo Pereira, de 24 anos, encontrou no trabalho uma maneira de reconstruir a própria vida após passar seis anos enfrentando o vício em apostas. Morador de Lages, na Serra de Santa Catarina, ele ganhou destaque ao começar a vender café e chocolate quente em um semáforo da cidade.

Antes de abandonar as apostas, Gustavo chegou a receber cerca de R$ 10 mil por mês. Segundo ele, porém, praticamente toda a renda era direcionada aos jogos. Ao longo de seis anos, calcula ter perdido mais de R$ 500 mil.

O contato com as apostas começou em 2020, quando Gustavo tinha 18 anos. Na época, ele trabalhava como supervisor em uma empresa da família e ainda fazia turnos como garçom durante a noite.

Mesmo tendo duas fontes de renda, o jovem relata que o dinheiro passou a ser consumido pelo vício. Com o tempo, chegou a vender bens pessoais para conseguir continuar apostando, incluindo celular, notebook, televisão, roupas e calçados.

A percepção de que precisava interromper o comportamento veio depois de anos de prejuízos. Gustavo conta que passou aproximadamente um ano prometendo a si mesmo que iria parar, mas enfrentou sucessivas recaídas.

Leia Também:  Nova Carteira de Identidade Nacional amplia a segurança do GOV.BR

Para dificultar o acesso ao dinheiro e às plataformas de apostas, ele adotou mudanças na rotina. Entre as medidas estão a retirada dos aplicativos bancários do celular, o uso de dinheiro em espécie e até a manutenção de recursos em contas de terceiros para evitar acesso imediato.

Há cerca de três meses, também aderiu ao sistema de autoexclusão de plataformas de apostas disponibilizado pelo Ministério da Fazenda. Desde então, afirma que conseguiu interromper o uso do dinheiro nas bets.

ROTINA CONTRA O VÍCIO

Outra estratégia encontrada por Gustavo foi manter a agenda ocupada. Atualmente, ele concilia três atividades profissionais e afirma que a rotina intensa tem ajudado a manter a distância das apostas.

O dia começa por volta das 4h, quando prepara café e chocolate quente para vender nas ruas. No período da tarde, trabalha com vendas e, à noite, volta a atuar como garçom. A jornada termina perto da meia-noite.

Para ele, a atividade no semáforo acabou assumindo um significado maior do que simplesmente garantir renda. O contato diário com os clientes também contribuiu para recuperar a autoestima após anos de dificuldades provocadas pelo vício.

Leia Também:  Arrecadação com IPTU despenca e Adriane impõe teto de gastos médio de R$ 580 milhões mensais

Gustavo afirma que chegou a perder a confiança das pessoas e a própria capacidade de acreditar em si mesmo. No início das vendas, conta que tinha dificuldade até para encarar os clientes.

Com o passar do tempo, porém, a experiência mudou sua relação com o trabalho e consigo próprio. Hoje, ele considera que manter a mente ocupada e construir novamente sua independência financeira são ferramentas importantes para evitar uma recaída.

A história de Gustavo ganhou repercussão justamente pela transformação: de um jovem que recebia R$ 10 mil por mês e destinava a renda às apostas para alguém que trabalha em três atividades e tenta reconstruir, pouco a pouco, a vida financeira e pessoal.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade