A Polícia Civil de Mato Grosso considera que a mulher investigada pela morte da própria filha tinha condições de buscar ajuda logo após o parto. T.G.O.T. é estudante de enfermagem, já tem outro filho e afirmou que deu à luz durante a madrugada, sem contar ao marido.
Para o delegado Rogério Gomes, a formação na área da saúde, mesmo ainda no início, somada à experiência anterior com a maternidade, indica que a investigada sabia que poderia acionar atendimento médico ou pedir auxílio a pessoas próximas.
Segundo o delegado, entre as alternativas estavam chamar o Samu, procurar um vizinho ou acordar o companheiro, que estaria dormindo no momento do parto.
“Ela saberia muito bem como proceder: chamar um socorro, chamar o Samu ou chamar um vizinho”, afirmou Rogério Gomes.
A mulher declarou que o nascimento aconteceu de maneira inesperada e que entrou em desespero. Ela também disse que tomou uma decisão rápida porque o outro filho, de aproximadamente três ou quatro anos, estava na residência e a chamava enquanto ela passava pelo parto.
Bebê nasceu com vida
O exame pericial apontou que a menina nasceu viva e chegou a respirar por alguns instantes. A criança tinha aproximadamente seis meses de gestação e pesava cerca de 750 gramas.
Os peritos não identificaram sinais de agressão, asfixia ou outras lesões físicas.
De acordo com a polícia, a investigada teria colocado a bebê em uma sacola e levado o material até uma lixeira do condomínio. Imagens de câmeras de segurança registraram a movimentação.
Inicialmente, T.G.O.T. negou ter participado do descarte, mas acabou admitindo o ato depois que os investigadores apresentaram as imagens.
Investigação pode mudar enquadramento
A mulher deverá ser indiciada inicialmente por homicídio. A Polícia Civil, porém, aguarda outros exames para verificar se houve ingestão de alguma substância com potencial abortivo.
Caso seja constatado o uso de algum produto para provocar o aborto, a investigação poderá incluir outros crimes ou alterar o enquadramento inicialmente previsto.
Apesar da gravidade do caso, T.G.O.T. permanece em liberdade. Segundo a Polícia Civil, ela tem colaborado com a apuração, realizou os exames solicitados voluntariamente e não apresentou, até o momento, indícios de que pretendesse fugir ou interferir nas investigações.



























