Brasília sempre conviveu com a fantasia. A diferença é que, por aqui, ela costuma frequentar gabinetes, salas refrigeradas e mesas onde o poder se reúne para decidir o destino de bilhões de reais.
Mas toda fantasia encontra um limite. E esse limite costuma aparecer quando os documentos falam mais alto do que as versões.
A Coluna do Mino teve acesso com exclusividade a peças e documentos que integram os autos das investigações relacionadas ao caso BRB/Master. O material, cuja divulgação ocorrerá de forma sequencial, lança novos elementos sobre uma das mais rumorosas relações entre o sistema financeiro e o poder político dos últimos anos.
Os papéis revelam uma cronologia que ajuda a compreender decisões, encontros, operações e movimentos que, durante muito tempo, permaneceram restritos aos bastidores. São documentos oficiais, produzidos no âmbito de procedimentos investigativos e judiciais, que agora passam a compor um mosaico muito mais amplo.
Em Brasília, não são poucos os que perguntam por que determinadas figuras, apontadas nas investigações, ainda não responderam por todos os fatos que lhes são atribuídos. A resposta pertence às autoridades responsáveis pelos processos. O que cabe ao jornalismo é revelar informações de interesse público, contextualizar os documentos e permitir que o leitor acompanhe, com transparência, a evolução dos acontecimentos.
Entre os personagens centrais do escândalo aparecem nos autos estão o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. Ambos tiveram seus nomes associados a investigações de ampla repercussão, cujos desdobramentos seguem em diferentes esferas.
Cada reportagem apresentará documentos, despachos, decisões e registros que permitirão ao leitor formar seu próprio juízo sobre os fatos. A proposta não é substituir o trabalho das autoridades, nem antecipar conclusões. É cumprir a obrigação do jornalismo: tornar públicos elementos de interesse coletivo que permanecem escondidos em milhares de páginas de processos.
Brasília aprendeu a conviver com versões. Agora começa a conhecer os documentos.
E documentos, ao contrário dos discursos, não disputam eleições nem fazem alianças. Apenas permanecem nos autos, aguardando o momento em que deixam de ser sigilo para se transformar em notícia.
No ponta pé inicial vamos começar pela relação entre o petista João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara Federal em conversa com Daniel Vorcaro.

Também aparece a chefe de gabinete do então governador Ibaneis Rocha, Juliana Munici Pinheiro marcando jantar na residência do banqueiro preso com as presenças de Ibaneis, Caio Rocha, Willian Magalhães de Carvalho, Thiago Claudino e Leonardo Valverde.


Um braço da Organização Criminosa de forte presença na mídia nacional se dá pelas mãos do jornalista Thiago Miranda e do empresário Flávio Carneiro, ambos com forte influência em veículos de comunicação de todo Brasil. Miranda foi sócio do portal Léo Dias e articulador das contratações para tentar fazer com que o Banco Central fosse questionado durante a ação de intervenção no Banco Master. Já Flávio Carneiro atuava como o articulador na compra de veículos de comunicação para trabalhar a favor da Orcrim, como já foi revelado pelo Fatos Online.


Aguarde as próximas revelações na série de reportagens.


























