A Polícia Federal identificou semelhanças entre a suposta aquisição de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões destinado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) e um esquema já investigado pela Operação Compliance Zero envolvendo o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. Segundo os investigadores, as duas operações teriam utilizado estruturas financeiras semelhantes para ocultar a origem dos recursos e os reais beneficiários dos imóveis.
De acordo com o relatório da PF, a negociação relacionada ao parlamentar baiano teria sido viabilizada por meio de fundos de investimento ligados à gestora Reag, que também é alvo de apurações por suspeitas de participação em operações de lavagem de dinheiro associadas ao Banco Master. Os investigadores sustentam que o pedido para a aquisição do imóvel teria partido de Jaques Wagner e sido operacionalizado por Augusto Lima, ex-sócio da instituição financeira, com apoio de intermediários ligados ao banco.
A investigação aponta ainda que o advogado Daniel Monteiro, apontado como operador financeiro em casos anteriores da Compliance Zero, também teria atuado na estrutura utilizada para a compra do imóvel em Salvador. Segundo a PF, o modelo consistia na movimentação de recursos por fundos de investimento e empresas criadas especificamente para a aquisição formal dos bens, mecanismo semelhante ao identificado em operações relacionadas a Paulo Henrique Costa.
Em nota, Jaques Wagner afirmou que não é réu, não foi denunciado e não responde a qualquer processo relacionado aos fatos investigados. O senador também declarou que o apartamento citado jamais integrou seu patrimônio e negou ter atuado em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira. A defesa de Augusto Lima, por sua vez, classificou as diligências como desnecessárias, sustentou a legalidade das operações e afirmou que os esclarecimentos demonstrarão a regularidade dos fatos apurados.
























