Coluna do Mino
Rastros: o celular que pode contar segredos inflamáveis
Celular de R$ 2 milhões põe Brasília em estado de alerta e PF avança sobre aparelho apreendido em investigação de violência doméstica; conteúdo ameaça desnudar figuras do poder federal
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18 horas atrásem
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Brasília conhece bem o barulho do silêncio, principalmente quando ele começa a ecoar nos corredores do poder federal. É ali, longe dos discursos oficiais e das notas calculadas, que crises costumam nascer. Algumas morrem abafadas. Outras escapam do controle. O celular apreendido com o empresário e lobista Manoel Ribeiro Junior parece pertencer ao segundo grupo.
O caso começou como mais um inquérito de violência doméstica conduzido pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher. Poderia terminar restrito às páginas policiais. Não terminou. Como foi revelado pelo Fatos Online, o que surgiu dentro do aparelho apreendido transformou a investigação numa ameaça real a personagens influentes de Brasília.
Manoel Ribeiro Junior não é um desconhecido dos gabinetes refrigerados da capital. Circula há anos entre empresários, operadores e figuras de peso da política nacional. Tem empresas, trânsito livre e relações que atravessam a Esplanada sem precisar de crachá. Nos bastidores, é tratado como homem de confiança de um importante braço político ligado ao poder federal.
No dia 14 de novembro de 2024, um desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios autorizou busca e apreensão em imóveis usados por Manoel em Brasília. A investigação reunia acusações de violência doméstica, perseguição e intimidação. Há suspeitas de instalação de rastreadores em veículos da vítima e até da advogada dela.
Durante a operação, investigadores recolheram aparelhos eletrônicos encaminhados à perícia da Polícia Civil do Distrito Federal. Um dos celulares apreendidos provocou imediata inquietação entre os responsáveis pelo caso. Foi nesse momento que o episódio deixou de ser apenas policial.
Segundo informações obtidas pela reportagem, Manoel teria tentado recuperar o aparelho antes da conclusão da perícia. A proposta atribuída a ele impressionou até investigadores acostumados com os subterrâneos de Brasília: R$ 2 milhões para substituir o telefone durante os exames técnicos. O objetivo era simples: fazer desaparecer o conteúdo considerado explosivo. Não conseguiu.
Agora, o caso entrou de vez no radar da Polícia Federal. A PF já requisita formalmente os aparelhos apreendidos que estão sob custódia da perícia criminal da Polícia Civil do Distrito Federal. A movimentação provocou apreensão em setores acostumados a operar protegidos pela sombra.
Relatos que circulam entre investigadores apontam que o celular reúne informações delicadas sobre relações empresariais, operadores financeiros, articulações políticas e conexões que alcançariam personagens do alto escalão federal. Entre os nomes mencionados nos bastidores aparece Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
Empresas que transitavam com desenvoltura em determinados ambientes de influência passaram, de repente, a ser vistas sob outro ângulo. O telefone apreendido virou peça de valor inestimável porque, ao que tudo indica, guarda muito mais do que conversas privadas. Guarda rastros.
Brasília já viu escândalos nascerem de malas, gravações, planilhas e delações. Desta vez, o temor atende por um celular. E há gente poderosa torcendo para que a bateria acabe antes da perícia terminar.































