A Câmara Legislativa do Distrito Federal encerrou a programação do 3º seminário “Mãe, deixa eu cuidar de você”, na noite de sexta-feira (15), com homenagem a pessoas, profissionais e instituições (públicas e privadas) que atuam, nas áreas de educação, saúde e assistência social, em prol da inclusão de pessoas com deficiência. A sessão solene lotou o auditório da Casa e, na ocasião, a CLDF entregou a primeira moção de louvor em braille de toda a sua história.
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À frente da iniciativa, o deputado Eduardo Pedrosa (União Brasil) registrou o compromisso de seu mandato com a causa e a importância do engajamento da sociedade civil, militantes e instituições nesse processo. “Quero celebrar cada um de vocês que participa dessa jornada: nas frentes parlamentares; nas discussões cotidianas, e no trabalho que desenvolvem, seja numa escola, seja numa subsecretaria, seja numa instituição, tentando fazer o melhor para ajudar a mudar a realidade cotidiana de muitas pessoas no DF”, disse o parlamentar.
Pedrosa destacou algumas conquistas recentes, a exemplo da inauguração do Centro de Referência Especializado em Transtorno do Espectro Autista (Cretea), localizado na estação de metrô da 108 Sul; e da liberação da construção do Hospital de Doenças Raras. “Isso tudo só foi possível porque muitas pessoas se comprometeram, se dedicaram e participaram”, elogiou.

Entre os homenageados, esteve Dulcilene Rodrigues, que falou em nome das mães atípicas, aquelas que dedicam suas vidas ao cuidado de filhos com deficiências, Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou doenças raras. Ela pediu “empatia” para com as famílias atípicas: “Só conhece o autismo quem vive ele na pele. Não é fácil estar aqui, eu tive que lutar muito para ter voz, para enfrentar os meus medos; e força não vem com discurso motivacional, vem com uma razão maior: os nossos filhos”.
Mãe solo de dois meninos com autismo, Dulcilene – ou Dulce, como é mais conhecida – lamentou a “invisibilidade” de mulheres como ela, que lutam para tentar garantir renda e outros direitos ao mesmo tempo em que precisam se dedicar, muitas vezes, integralmente, aos cuidados dos filhos. “Não nos anulem, nos enxerguem. Nada é pior do que um ser humano ter que provar a sua existência e nada é mais constrangedor do que ter de provar que você merece dignidade”, defendeu.
A subdefensora pública-geral Nathália Sant’ana Rosa reforçou ser “urgente e necessária” a luta por inclusão e garantia de direitos à maternidade atípica. “Vocês não são invisíveis, vocês são exatamente o motivo da existência da Defensoria Pública, que está aqui para garantir justiça”, afirmou, em resposta à manifestação de Dulcilene Rodrigues.
Representando a Secretaria de Educação do DF, a diretora de Educação Inclusiva e Atendimentos Educacionais Especializados, Dulcinete Castro Nunes Alvim, agradeceu o reconhecimento do trabalho realizado pela pasta e reforçou a relevância dos profissionais e colaboradores que atuam “na ponta, dando acessibilidade aos nossos estudantes e espaço de fala para as famílias”.
Durante a solenidade, também foi homenageada a atuação da Faculdade Uninassau Brasília, que promove, por meio de uma clínica-escola em Taguatinga, atendimentos psicológicos e outras atividades gratuitas para as pessoas com deficiência e suas famílias. “A Uninassau não é somente uma faculdade privada, ela tem um olhar múltiplo para a comunidade”, apontou Diogo Ferreira, diretor da instituição.
Além disso, foi destacada a importância das ações de inclusão no segmento automobilístico. O gestor do grupo V12, Carlos Venceslau, foi homenageado, representando a área: “O setor proporciona mobilidade para as pessoas com deficiência, vendendo carros com isenção”.
Momento histórico

A sessão solene foi marcada pela entrega de moções de louvor em reconhecimento às contribuições e aos esforços empenhados em prol da inclusão de pessoas com deficiência no Distrito Federal. Entre os homenageados, esteve o pedagogo Fernando Rodrigues, professor do Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV) da Secretaria e Educação do DF. Cego desde a infância, por conta de um descolamento de retina, o professor recebeu a primeira moção de louvor em braille dos 35 anos de história da CLDF.
Fonte: Câmara Legislativa – DF



























