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COLUNA DO MINO

MDB-DF: a guerra no anonimato

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O MDB do Distrito Federal já não disfarça mais o que se tornou: um campo minado onde aliados se comportam como inimigos declarados, movidos por ambição, ressentimento e sede de poder. O confronto entre Wellington Luiz e João Hermeto deixou de ser divergência política para assumir contornos de vendeta pessoal, daquelas que não se resolvem com discursos, mas com destruição mútua.

O estopim foi o indiciamento de Hermeto pela Polícia Civil do DF, via DECOR, no escândalo da “rachadinha”. Acuado, pressionado e vendo o cerco se fechar, o deputado partiu para o ataque mais previsível e, ao mesmo tempo, mais temerário: tentou desqualificar a investigação, alvejou delegados e, num movimento quase desesperado, insinuou que tudo não passava de uma armação política.

Nos bastidores, o alvo era claro. Para Hermeto, Wellington não apenas assistiu à queda, como teria atuado com mão pesada para enfraquecê-lo e consolidar o controle absoluto do partido. A acusação, ainda que ventilada longe dos microfones, tem peso de dinamite num ambiente já saturado de desconfiança.

Wellington respondeu como quem não admite insubordinação dentro do próprio território. Frio, calculado e escorado no acúmulo de poder institucional e partidário, gravou vídeo, vestiu o figurino da defesa das instituições e saiu em proteção cerrada da Polícia Civil. Não citou Hermeto, mas deixou claro que não tolerará ataques nem tentativas de politizar investigações.

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O que agrava ainda mais o cenário é o fato de Hermeto ocupar hoje a liderança do governo do Distrito Federal na Câmara Legislativa. Um posto estratégico que, neste momento, virou alvo. Nos bastidores, a puxada de tapete já começou. A articulação para afastá-lo do comando do GDF dentro da Casa corre em silêncio, mas com método, e tem como pano de fundo justamente o desgaste provocado pela crise e o confronto direto com quem controla a engrenagem política da Câmara.

E quem controla essa engrenagem é o próprio Wellington Luiz, presidente da Câmara Legislativa e também comandante do MDB no DF. A sobreposição de poder institucional e partidário transforma o embate em algo profundamente desigual. Hermeto não enfrenta apenas um adversário político. Enfrenta o centro de gravidade do partido e da Casa.

O desgaste de Ibaneis Rocha, por sua vez, funciona como combustível para essa implosão. O MDB, já fragilizado, entrou em processo acelerado de esvaziamento. Houve debandada, afastamentos estratégicos e um clima generalizado de contrariedade entre os que ficaram. Ninguém confia em ninguém, e todos disputam espaço.

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Nesse ambiente tóxico, a disputa deixou de ser política e virou sobrevivência. Hermeto, acuado e combativo, reage com ataques e acusações. Wellington, instalado no topo da cadeia de comando, responde com frieza e demonstrações de força. Não há mais mediação possível, apenas confronto.

Na quinta-feira, dia 9, Hermeto tentou buscar respaldo em Ibaneis Rocha. Ligou, reclamou, atacou Wellington. Recebeu como conselho o silêncio, a cautela, a tentativa de evitar o choque direto. Era tarde. Quando a crise já está exposta, recuar soa como fraqueza.

No sábado, dia 11, Wellington reforçou sua posição. Sem citar nomes, mas com precisão cirúrgica, voltou a defender a Polícia Civil e, nas entrelinhas, enquadrou o adversário. Não foi resposta. Foi aviso.

Agora, o que se desenha é uma queda de braço dura, desgastante e sem garantias para nenhum dos lados. Hermeto terá de suar muito a camisa se quiser sobreviver politicamente e tentar derrotar seu inimigo partidário. Do outro lado, Wellington joga com a vantagem de quem concentra poder e dita o ritmo do jogo.

O MDB, que já foi máquina política, hoje é território de guerra interna. E, nesse cenário, o fogo não vem da oposição. Vem de dentro. E consome tudo.

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