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Mulheres atletas pedem visibilidade e incentivos em busca de igualdade e inclusão no esporte

Foto: Rinaldo Morelli/Agência

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Mulheres do futebol, voleibol, vôlei de praia, futevôlei, jiu-jitsu, beach tennis, atletismo, capoeira, futebol americano e de outras práticas esportivas foram homenageadas nesta segunda-feira (23), em sessão solene no plenário da Câmara Legislativa. A iniciativa, proposta pela deputada Doutora Jane (Republicanos), foi marcada por relatos sobre os desafios enfrentados pelas esportistas e pela defesa de incentivos às atletas e às meninas das categorias de base.

“O recorte do esporte é simbólico, é importante, pois muitas vezes esse é considerado um espaço masculino, mas temos certeza de que o lugar das mulheres é onde a competência e a capacidade delas conseguir conduzi-las”, afirmou Doutora Jane. “Hoje é um ato de reconhecimento, de visibilidade a mulheres que, muitas vezes, venceram no silêncio e que nunca desistiram. É preciso coragem para ocupar espaços que, durante muito tempo, disseram que não eram nossos, e é preciso força para provar que somos capazes; cada mulher aqui representa uma vitória”, completou.

A parlamentar lamentou os casos de violência de gênero no esporte e defendeu aportes financeiros para a profissionalização das atletas, para que não fiquem restritas ao esporte amador. “Precisamos lutar por igualdade, investimentos, respeito e oportunidades reais”, pregou.

Machismo é desafio

Decacampeã mundial de futevôlei e 23 vezes campeã brasileira da modalidade, Lana Miranda esteve entre as homenageadas nesta manhã. Ela lembrou parte de sua trajetória no esporte, inicialmente no futebol. “Usava o uniforme dos homens e, muitas vezes, depois de eles terem jogado; ou seja, jogávamos com uniformes sujos”, contou. A atleta ressaltou que sempre sonhou ser campeã e destacou a importância do incentivo da família à prática de esportes. Além disso, Miranda defendeu que as federações invistam na formação de categorias de base femininas.

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Laura Veloso, do time feminino de futebol da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional DF (OAB/DF), também reforçou a relevância do incentivo às mulheres nos esportes. “O futebol sempre foi um espaço muito machista, é muito importante ter apoio para ocuparmos os espaços que queremos”, assinalou a jogadora. “O esporte muda tudo, oferece muitas oportunidades”, emendou.

O subsecretário de Esporte, Lazer e Espaços Esportivos do governo do DF, Nivaldo Vieira Felix, salientou que, por meio de um decreto de Getúlio Vargas, as mulheres ficaram 40 anos sem poder jogar futebol no Brasil. A situação perdurou até 1979. O representante do GDF elogiou as atletas presentes, de todas as modalidades, “pelo exemplo de superação”. Por fim, acrescentou: “O esporte melhora a educação, a segurança e a saúde, além de transformar as famílias ao dar oportunidades”.


 

Importância do exemplo

Dar visibilidade às mulheres nas mais diversas práticas esportivas é uma forma de estimular o engajamento de mais pessoas e, também, de fazer atletas iniciantes acreditarem em seus potenciais.

A pentacampeã mundial de jiu jitsu Karen Antunes avalia que foi vendo o exemplo de outras mulheres no tatame que ela passou a acreditar em si mesma: “Estou lá porque vi outras mulheres faixa preta que foram campeãs mundiais”.

Incentivo do Estado

O deputado federal Julio Cesar (Republicanos/DF) defendeu políticas públicas de incentivo às mulheres esportistas, “para que possam levar a bandeira do DF para as competições em outros estados e países”. Ele também citou a importância de leis que garantam o pagamento de premiações iguais para homens e mulheres. “É uma questão de justiça”, sublinhou.

Uma das homenageadas na solenidade, a jogadora de vôlei de praia Ângela Cristina Rebouças Lavalle apontou que as atletas, além de esportistas, costumam desempenhar várias outras funções: são donas de casa, mães, estudantes ou têm outras profissões. “As adversidades são inúmeras, e o apoio do Estado é fundamental“, argumentou, elogiando programas como o “Compete Brasília” e “Bolsa Atleta”. Em sua opinião, ainda falta incentivo para as categorias de base: “Temos de dar condições para nossas meninas”.

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Função social

A prática de esportes pode desempenhar, ainda, importante papel social para as meninas e mulheres. Na sessão solene de hoje, estiveram presentes representantes de vários projetos que têm práticas esportivas como instrumentos de transformação e socialização.

“O esporte salva vidas”, apontou Fernanda Iung Lima, faixa preta de jiu jitsu e coordenadora do projeto “Mulheres que Lutam”. A iniciativa utiliza a arte marcial como ferramenta de defesa pessoal, saúde mental e física e empoderamento feminino.

Por sua vez, a atleta de beach tennis Juliana Vieira apresentou o projeto Butterfly, que é um torneio voltado apenas para mulheres, com o intuito de criar um ambiente de acolhimento e conexão entre as participantes e, também, de evolução no esporte. “Ele nasceu a partir de uma dor, de uma filha que teve câncer. Nesse processo, procuramos não só pessoas para nos ajudar, mas também o esporte”, explicou Vieira.

Butterfly [borboleta em inglês] é transformação, do casulo a uma linda borboleta”, continuou a idealizadora. “O beach tennis consegue levantar as pessoas, são mulheres que levantam outras por meio do esporte. O jogo em si, a comunicação, o abraço, a conversa pós jogo: tudo isso é importante”, concluiu Juliana Vieira.

Fonte: Câmara Legislativa – DF

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