A tentativa de Arruda, no entanto, esbarra em dois obstáculos difíceis de contornar: a memória do eleitor e a realidade das pesquisas.
Por Mino Pedrosa
Brasília conhece seus fantasmas. Alguns insistem em voltar. Outros nunca foram embora.
José Roberto Arruda é um deles. Inelegível por decisão da Justiça Eleitoral, condenado no escândalo da Caixa de Pandora, Arruda continua rondando o poder. Não como candidato. Como articulador. Como quem tenta empurrar a história para trás.
Nos bastidores, formou-se uma costura curiosa. Arruda de um lado. Do outro, nomes identificados com a esquerda local: Rodrigo Rollemberg, Leandro Grass e Ricardo Cappelli. O discurso varia conforme o interlocutor. A intenção, não.
A ideia era simples: convencer o eleitor de que Arruda ainda “volta”. Que o passado pode ser reciclado. Que o problema não é jurídico, é narrativo.
Não colou.
Arruda segue rejeitado. Não por acaso. O eleitor de Brasília lembra. E lembra bem. Prisão, escândalo, descrédito. Nada disso foi apagado pelo tempo nem por articulações discretas.

A tentativa de enfraquecer Leandro Grass, candidato do PT com apoio declarado do presidente Lula e da primeira-dama Janja, também falhou. Lula manteve o apoio. Grass continuou no jogo. A engenharia política desmontou antes de sair do papel.
Enquanto isso, Celina Leão avançou.
Foto: Renato Alves/ Agência Brasília
Vice-governadora, candidatura legal, base política ampla, apoio do centrão. Lidera as pesquisas. Com distância. Sem precisar de atalhos. Sem precisar negar o passado, porque não carrega um que precise ser negado.
Há um contraste evidente.
De um lado, articulações de gabinete tentando ressuscitar quem o eleitor já descartou.
Do outro, uma candidatura que cresce à luz do dia.
A tentativa de vender Arruda acabou produzindo o efeito contrário: reforçou sua rejeição. E, por tabela, fortaleceu Celina Leão.
Política é memória.
E o eleitor de Brasília não sofre de amnésia.




























