De acordo com a Polícia Civil, os falsos corretores prometiam facilitar o processo da compra. Eles tinham como alvos, principalmente, pessoas com baixo poder aquisitivo, que possuíam restrições para acesso ao crédito imobiliário formal.
Para aplicar o golpe, a quadrilha identificava anúncios verdadeiros em plataformas digitais e os reproduzia em uma página falsa, trocando o contato dos proprietários pelo dos golpistas. Os criminosos planejavam o processo de visitas e reuniões, e convenciam as vítimas que era necessário fazer o pagamento do valor da entrada do imóvel.
“O dono do imóvel fazia um anúncio (verdadeiro) em um site, os golpistas entravam em contato com o dono pedindo mais fotos dizendo que trabalhavam em uma imobiliária e que iam ajudar na venda. O dono enviava mais fotos, os golpistas reproduziam esse anúncio em outra plataforma digital e colocavam o telefone deles. A vítima entrava em contato com os golpistas (acreditando que eram corretores), agendavam uma visita ao imóvel, a vítima ia, porém era alertada de que não poderia falar nada sobre valores e meios de pagamento com o dono. Após a visita, a vítima acertava o local para realizar o pagamento do sinal, acreditando que estaria comprando a sua casa, quando, na verdade, estava caindo em um golpe”, disse o delegado Mário Jorge Ribeiro de Andrade, titular da 4ª DP (Presidente Vargas), responsável pela investigação.

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Durante as investigações, os agentes monitoraram uma vítima, que, após visitar um imóvel em Cosmos, na Zona Oeste, foi chamada para assinar os documentos e fazer o pagamento da entrada. O valor do falso contrato era R$ 30 mil, facilitada pelo depósito inicial de R$ 5.600, mais 390 parcelas fixas de R$ 860.

O encontro aconteceu em um escritório, em uma sala compartilhada, na Avenida Rio Branco, no Centro do Rio. O espaço era alugado pela quadrilha, porém sem vínculo com o grupo. Essa prática se tornou comum após a pandemia de covid-19, quando floresceram empresas de fachada para prática de crimes.
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Agentes da 4ª DP acompanharam a reunião entre Leandro e a vítima e, depois da realização do depósito, os policiais interromperam a conversa e autuaram o golpista em flagrante.
“Essa prisão serve de alerta não só para as pessoas que estão vendendo o imóvel como, também, para as que estão adquirindo. Não basta apenas acreditar em pessoas que ligam se passando por corretores. As pessoas precisam pedir informações sobre a empresa que está vendendo. Se possível, vá até o local da empresa. Essa, por exemplo, tinha um endereço falso no Centro como sendo a sua sede. Ora, se tem uma sede no Centro, por qual motivo estaria alugando sala, em outro endereço, para ‘fechar o contrato’? Toda visita de imóvel o corretor acompanha o pretenso comprador. Nesse golpe, o comprador ia sozinho até o imóvel para conhecê-lo. Verifique junto ao Sindicato dos Corretores Imobiliários se aquela imobiliária existe. Consiga informações sobre os profissionais. Fundamental, também, é o comprador pesquisar a matrícula do imóvel junto ao Registro Geral de Imóveis (RGI) para obter todo o histórico”, orientou o delegado.
As investigações continuam para localizar outros dois golpistas e identificar demais envolvidos no crime.