A Operação Última Ratio, conduzida pela Polícia Federal, revelou movimentações financeiras suspeitas envolvendo o desembargador Alexandre Aguiar Bastos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). Entre 2022 e 2024, Bastos realizou transações que somam pelo menos R$ 276 mil em dinheiro vivo, conforme laudos periciais do celular do magistrado. Durante o mesmo período, foram identificados saques bancários totalizando aproximadamente R$ 57 mil, indicando uma diferença de R$ 219 mil com origem não explicada.
Além disso, a investigação apontou aquisições de bens de luxo por Bastos, incluindo um veículo Chery Tiggo 8, um Fiat Argo, uma moto aquática e um imóvel em Aparecida do Taboado, pagos em parte ou integralmente em dinheiro vivo. Em relação ao Chery Tiggo 8, a Polícia Federal encontrou mensagens entre o desembargador e um funcionário da concessionária indicando pagamentos em espécie, mas os dados bancários disponíveis não registraram transações correspondentes.
A Polícia Federal suspeita que parte desse dinheiro tenha origem na venda de decisões judiciais favoráveis a interesses específicos, incluindo o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS), Osmar Jeronymo. A investigação também revelou que Bastos recebia parte do faturamento do escritório de advocacia de sua filha, Camila Bastos, que se afastou do cargo de vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul (OAB-MS) após a deflagração da operação.
Em resposta às acusações, o desembargador Alexandre Aguiar Bastos nega qualquer irregularidade em suas aquisições e afirma que os pagamentos foram realizados por meio de empréstimos pessoais e recursos próprios. Ele também refuta qualquer envolvimento em esquemas de venda de sentenças e destaca que todas as suas aquisições foram devidamente registradas e declaradas às autoridades competentes.
A Operação Última Ratio resultou no afastamento de cinco desembargadores do TJMS, incluindo Bastos, e de outros envolvidos, como o conselheiro do TCE-MS, Osmar Jeronymo. Todos foram monitorados por meio de tornozeleiras eletrônicas e estão proibidos de acessar as dependências dos órgãos públicos e de manter contato entre si. A investigação continua em andamento, com a análise de documentos e dados apreendidos, visando esclarecer a origem dos recursos utilizados nas transações suspeitas e identificar possíveis envolvidos em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro.


























