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COLUNA DO MINO

Câmara Legislativa DF: o perfil do operador de emendas negociadas

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Seguindo o exemplo agressivo do presidente da Câmara Legislativa do DF, Wellington Luiz, Chico Vigilante e de mais alguns parlamentares que já fizeram ameaças públicas a jornalistas, o operador de emendas que circula em gabinetes, Ailton Rodrigues Domingos, vai pagar caro pela língua.

Vídeo com arma, ameaça de execução e engrenagem clandestina de emendas revelam um ambiente podre, agressivo, ardiloso e criminoso nos bastidores do poder.

O que começou como apuração virou um retrato escancarado da degradação política no Distrito Federal. Não é caso isolado. É sintoma de um sistema viciado, infiltrado por práticas obscuras e operado na sombra.

Segundo registro levado à polícia, o jornalista Mino Pedrosa relata que, no dia 27, por volta das 19h, estava com o também jornalista Josiel Ferreira, em um café de shopping, quando recebeu uma chamada de vídeo de Ailton Rodrigues Domingos, o “Maninho”, figura conhecida em investigações e nos próprios gabinetes da Câmara Legislativa. O que veio não foi conversa. Foi intimidação.

Armado, exibindo uma pistola de forma deliberada, o indivíduo fez ameaças diretas: disse que, se fosse citado em reportagem sobre esquemas envolvendo emendas parlamentares, iria “buscar debaixo do lençol” e atirar. Reforçou com ainda mais brutalidade: prometeu “um tiro na cara”. Não há ambiguidade. É ameaça clara, típica de quem opera na clandestinidade e reage com violência quando exposto.

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E o mais grave: após a ameaça, seguiu armado para o evento “Celebra Ceilândia 2026 – 55 anos”, onde atuava como produtor. Um evento público, com estrutura ampla e presença de famílias, no qual circulava armado como se nada fosse. Não é só ousadia. É sensação de impunidade.

O episódio não nasce do nada. Ele é fruto de um ambiente político deteriorado, permissivo e corrompido. A última legislatura consolidou um cenário de parlamentares desconectados do interesse público, enquanto, nos bastidores, prosperam acordos opacos, negociações silenciosas e repartição disfarçada de recursos.

No centro disso tudo estão os chamados “corretores de emendas”, operadores de baixo nível técnico e alta disposição para ilegalidade, que fazem o dinheiro público percorrer caminhos tortuosos, inflados e percentuais obscuros. No jargão, são as “mulas”, encarregadas de transportar recursos pulverizados em projetos duvidosos.

Esse sistema não é improviso. É método.

E esses operadores não ficam apenas no financeiro. Avançam para ameaça, intimidação e violência. O caso de “Maninho” é a face mais escancarada dessa engrenagem ardilosa.

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Eles operam nas sombras, mas não sozinhos. Há conivência, tolerância e, em alguns casos, parceria direta de quem se beneficia.

A ameaça a jornalistas, portanto, não é episódio isolado. É mecanismo. É tentativa de silenciar, de intimidar e de proteger interesses.

O caso foi levado à polícia, mas o ponto central não é apenas o registro formal. O que está em jogo é a decisão de não recuar diante da intimidação.

A apuração segue, porque não se trata apenas de uma reportagem, mas da exposição de um sistema que só sobrevive no escuro.

Quando a luz acende, esse sistema reage da única forma que conhece: com agressividade, intimidação e violência.

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