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INVESTIGAÇÃO

De BMW a passagens aéreas: investigação revela rastro de luxo de alvos da Operação Falsa Emergência

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As investigações da Operação Falsa Emergência revelaram novos elementos envolvendo a empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva e o então superintendente da Secretaria Municipal de Saúde de Palmas, Andreis Vicente da Costa. Segundo a Polícia Civil, há indícios de que a empresária tenha arcado com despesas de viagens e disponibilizado um veículo de luxo utilizado pelo servidor durante o período em que era discutida a contratação da entidade responsável pela gestão das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital.

O caso integra a investigação sobre o contrato de R$ 139 milhões firmado entre a Prefeitura de Palmas e a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba. O inquérito apura possíveis crimes de associação criminosa, falsidade ideológica, corrupção e lavagem de dinheiro.

De acordo com a Polícia Civil, as apurações indicam que integrantes do grupo investigado teriam atuado para influenciar decisões administrativas e acelerar a contratação da entidade. Na mais recente fase da operação foram presos Cláudia Fernanda, Andreis Vicente e a então secretária municipal de Saúde, Dhieine Caminski.

Além deles, outros quatro servidores públicos deverão ser indiciados por peculato culposo. Conforme a investigação, os funcionários assinaram documentos que continham irregularidades durante a tramitação do processo administrativo, supostamente sob pressão.

BMW é citada na investigação

Entre os principais elementos reunidos pelos investigadores está uma BMW X1 modelo 2025/2026. Embora o veículo estivesse registrado em nome de Cláudia Fernanda, a polícia afirma que ele era utilizado com frequência por Andreis Vicente.

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Segundo o inquérito, o automóvel era visto regularmente na sede da Secretaria Municipal de Saúde e permanecia estacionado no endereço residencial do servidor. Durante o cumprimento de mandados de busca, os policiais localizaram documentos relacionados ao veículo dentro da sala ocupada por Andreis na secretaria.

Outro ponto destacado pela investigação é a data da locação do carro. Conforme a polícia, o contrato foi firmado em 4 de fevereiro de 2026, um dia antes da assinatura da justificativa que dispensou a realização de chamamento público para a contratação da entidade hospitalar.

Viagens sob suspeita

A investigação também identificou uma série de viagens realizadas por Andreis Vicente e Cláudia Fernanda. Dados obtidos junto a uma companhia aérea apontam que os dois teriam embarcado em pelo menos cinco ocasiões para os mesmos destinos e nas mesmas datas.

De acordo com a Polícia Civil, as passagens foram adquiridas utilizando o mesmo cartão de crédito vinculado à empresária. Para os investigadores, a coincidência reforça a suspeita de que os deslocamentos tenham sido custeados por Cláudia em benefício do então superintendente da Saúde.

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Os policiais afirmam ainda que uma das viagens analisadas foi paga com o mesmo cartão, mas realizada exclusivamente por Andreis Vicente, sem a presença da empresária, circunstância considerada relevante para a apuração de eventual vantagem indevida.

Defesas contestam suspeitas

Em manifestações encaminhadas à imprensa, as defesas dos investigados negaram irregularidades ou informaram que os esclarecimentos serão apresentados ao longo da tramitação do processo.

A defesa de Cláudia Fernanda sustenta que não houve qualquer prática ilícita e afirma que os fatos serão esclarecidos durante a instrução do caso. Já os advogados de Andreis Vicente informaram que aguardam o julgamento de pedido para revogação da prisão preventiva.

A Santa Casa de Misericórdia de Itatiba declarou que não possui vínculo formal com Cláudia Fernanda. Por sua vez, a Prefeitura de Palmas informou que acompanha as investigações e garantiu que os atendimentos nas unidades de saúde seguem sem interrupções.

As apurações continuam sob responsabilidade da Polícia Civil, que busca esclarecer a participação de cada investigado e a legalidade do processo que resultou na contratação da entidade para administrar as UPAs da capital.

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