Por dois votos a um, a Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) decidiu negar o habeas corpus ao DJ Patrike Noro de Castro, investigado na Operação Datar, que desarticulou uma rede de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas com movimentação financeira estimada em R$ 185 milhões entre 2015 e 2023.
A decisão, que manteve o DJ preso, foi acompanhada pelos desembargadores Marcos Machado e Orlando Perri, que classificou o esquema criminoso como “assustador” devido ao volume de recursos movimentados.
Réu em esquema milionário
Em outubro, Patrike Noro e outras 17 pessoas viraram réus no processo. Entre os acusados estão o DJ Diego Lima Datto, o empresário Rafael Geon de Sousa, e os ex-servidores da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) Vinícius Curvo Nunes e Thiago Inoue.
A defesa de Noro pedia sua soltura, argumentando que outros investigados já haviam obtido liberdade, mas o pedido foi negado com base na gravidade dos indícios e no papel central que ele teria exercido no esquema.
Movimentação financeira “assustadora”
Relator do processo, o desembargador Wesley Sanchez Lacerda reconheceu que Noro movimentou R$ 21,8 milhões entre janeiro de 2015 e dezembro de 2023 valor incompatível com sua renda declarada. O magistrado destacou ainda que o patrimônio do DJ triplicou entre 2021 e 2023, sem justificativa de origem lícita.
Mesmo sem provas de novas movimentações suspeitas após o fim do período investigado, o relator havia votado pela substituição da prisão preventiva por medidas cautelares, como recolhimento domiciliar noturno, tornozeleira eletrônica, comparecimento mensal em juízo e proibição de contato com outros investigados.
Divergência e votos contrários
O desembargador Marcos Machado pediu vista e divergiu do relator. Ele sustentou que a associação criminosa era estruturada e permanente, com alto poder financeiro e atuação contínua. Segundo o voto, Noro exercia protagonismo nas operações ilícitas, inclusive com transferências vultosas e reiteração em tráfico de “drogas de luxo”, como MDMA (ecstasy) e anabolizantes.
“O envolvimento do paciente no grupo criminoso e a reiteração delitiva justificam a manutenção da prisão para garantia da ordem pública”, afirmou Machado.
O desembargador Orlando Perri acompanhou o voto divergente e reforçou a gravidade do caso. “A movimentação financeira do grupo é assustadora, e há fortes indícios de continuidade das atividades ilícitas. Por isso, voto pela manutenção da prisão preventiva”, concluiu.
Operação Datar
Deflagrada em 2023 pela Polícia Civil de Mato Grosso, a Operação Datar mirou um complexo esquema de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico e outros crimes, com uso de empresas de fachada, festas e eventos para disfarçar a origem dos valores.
O grupo teria movimentado R$ 185 milhões ao longo de oito anos, com parte dos recursos circulando por contas de pessoas físicas e jurídicas ligadas aos investigados.
Com a decisão do TJMT, o DJ Patrike Noro permanecerá preso preventivamente, aguardando o andamento da ação penal.





























