Pesquisar
Close this search box.
CRISE POLÍTICA

Antônio Rueda endurece após ser citado em operação sobre lavagem de dinheiro do PCC

Foto: Reprodução Site União BrasilAntônio Rueda

publicidade

A União Brasil oficializou nesta quinta-feira (18.09) a ruptura definitiva com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, determinando que todos os filiados com cargos no Executivo federal deixem suas posições em até 24 horas. A medida acelera o cronograma de desembarque que havia sido anunciado em 2 de setembro, quando a federação formada por União Brasil e Progressistas decidiu abandonar a base governista.

A decisão, formalizada através de resolução da Comissão Executiva Nacional, prevê “punições disciplinares” para quem não cumprir o prazo, incluindo possível expulsão da legenda. O documento, assinado pelo presidente do partido Antônio Rueda, abrange não apenas ministérios, mas também cargos em autarquias, fundações e empresas públicas.

O endurecimento do prazo ocorre após reportagem que ligou o nome de Antônio Rueda à Operação Carbono Oculto, investigação da Polícia Federal sobre infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) nos setores financeiro e de combustíveis. Segundo as investigações, Rueda seria proprietário oculto de jatos executivos utilizados em esquema de lavagem de dinheiro a serviço da facção criminosa.

A cúpula do União Brasil vê influência do governo Lula na reportagem publicada. “Tal ‘coincidência’ reforça a percepção de uso político da estrutura estatal visando desgastar a imagem da nossa principal liderança”, acusa o partido na nota, sem apresentar provas. Rueda nega as acusações e afirma “repudiar com veemência qualquer tentativa de vincular seu nome a pessoas investigadas”.

Ministros na linha de fogo

Leia Também:  STF manda prender Mauro Cid sob suspeita de tentar passaporte português para fugir do Brasil

O ultimato coloca especial pressão sobre o ministro do Turismo, Celso Sabino (União Brasil-PA), único filiado oficial do partido no primeiro escalão do governo. Segundo apurou o #Fatos de Brasilia, mesmo fora do governo, ele participaria da COP30 como congressista paraense, mas preferiria fazer na condição de ministro.

Também estão na mira das determinações partidárias os ministros Frederico Siqueira (Comunicações) e Waldez Góes (Desenvolvimento Regional), embora estes não sejam filiados ao União Brasil. Ambos foram indicados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), como parte de sua “cota pessoal” na Esplanada.

A estratégia de Alcolumbre

O presidente do Senado emerge como figura central na estratégia do governo para minimizar os danos do desembarque. Integrantes do Palácio do Planalto confiam que Alcolumbre atuaria para evitar a aprovação da anistia ampla e irrestrita que vem sendo articulada pela direita para livrar Jair Bolsonaro da cadeia.

Em reunião no Palácio da Alvorada no dia 3 de setembro, Lula deu carta branca ao presidente do Senado sobre as indicações do União Brasil na Esplanada dos Ministérios, se referindo aos ministros como indicados por Alcolumbre. A estratégia busca preservar a relação institucional com o comandante do Congresso Nacional, considerado peça fundamental para barrar propostas contrárias aos interesses do governo.

PEC da Blindagem como pano de fundo

A crise coincide com a aprovação da controversa PEC da Blindagem na Câmara dos Deputados, proposta que amplia as proteções judiciais para parlamentares e presidentes de partidos. A ofensiva pela aprovação da PEC uniu bolsonaristas e o chamado Centrão, com uma articulação feita por lideranças como o presidente do União Brasil, Antônio Rueda.

Leia Também:  Modelo morre depois de receber 'injeção de leite' para tratar insônia

A proposta, que foi criada por Celso Sabino (União Brasil-PA) em 2021, estabelece que deputados e senadores só podem ser processados criminalmente após autorização de suas respectivas Casas Legislativas. Outra mudança proposta é a ampliação do foro privilegiado: além de deputados e senadores, passam a ter julgamento no STF os presidentes nacionais de partidos com representação no Congresso, como Valdemar Costa Neto (PL) e Antonio Rueda (União Brasil), que não têm mandatos eletivos.

Federação em marcha para 2026

O desembarque formaliza o que já era uma realidade política: a União Brasil e o PP, que formaram federação visando as eleições de 2026, não atuavam como base consistente do governo Lula. Segundo levantamento da consultoria Arko Advice, o partido votou com o governo em 49,87% das ocasiões, ficando atrás apenas dos oposicionistas Novo (29,37%), PL (31,98%) e PRD (40,28%).

A federação, batizada de União Progressista, possui a maior bancada do Legislativo com 109 deputados e 14 senadores. Os dois partidos se uniram com o objetivo de construir um “palanque do central” para a candidatura de Tarcísio em 2026, especialmente diante da inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade