Um adolescente de 15 anos foi apreendido em São Luís (MA), na quarta-feira (2), suspeito de torturar mais de 200 gatos durante transmissões ao vivo em plataformas digitais. Segundo a investigação, os crimes teriam sido praticados por meio do Discord.
O jovem foi localizado após uma investigação de seis meses conduzida pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, em conjunto com a Polícia Federal.
De acordo com a delegada Lisandrea Salvariego, responsável pelo núcleo, o adolescente teria chegado a torturar entre cinco e seis animais durante uma única madrugada. Ele também é investigado por supostamente induzir outras pessoas à automutilação.
A Justiça determinou a apreensão do adolescente e sua internação. Um aparelho celular foi recolhido durante a operação. O jovem deverá ser levado para São Paulo, onde ficará submetido à medida determinada pela Justiça.
Plataforma foi alvo de cobranças
O caso também trouxe novamente à discussão a atuação das plataformas digitais diante de conteúdos criminosos. Um levantamento do Noad analisou 63 comunicações emergenciais e solicitações enviadas ao Discord entre maio de 2025 e janeiro de 2026.
Segundo o relatório, houve situações em que a plataforma levou mais de duas semanas para responder a pedidos das autoridades. Em um dos casos, relacionado a uma sala virtual dedicada à violência contra gatos, a resposta teria ocorrido após 16 dias e 18 horas, com a solicitação sendo recusada.
Os pedidos analisados envolviam diferentes situações, entre elas maus-tratos contra animais, incentivo ao suicídio, divulgação de imagens íntimas de menores e ameaças de ataques a escolas.
Casos de zoosadismo aumentam
A investigação também chama atenção para o crescimento de conteúdos envolvendo violência contra animais no ambiente virtual. Dados do Noad indicam aumento de 200% nos registros relacionados ao zoosadismo entre 2025 e 2026.
O termo é utilizado para descrever a prática de provocar sofrimento ou morte de animais com a intenção de obter prazer ou satisfação com a violência.
Desde a criação do núcleo, em novembro de 2024, cerca de 1,2 mil animais teriam sido resgatados em ações de investigação e prevenção. Cães, gatos e porquinhos-da-índia estão entre as espécies encontradas pelas equipes.
Mudanças na legislação
O avanço desses conteúdos também motivou propostas no Congresso Nacional para alterar as regras sobre maus-tratos contra animais.
Entre os projetos em tramitação estão propostas que aumentam as penas, criam agravantes quando há finalidade comercial ou produção de conteúdo e estabelecem punições para grupos virtuais voltados à prática ou divulgação de violência contra animais.
Uma das propostas já aprovada pela Comissão de Meio Ambiente do Senado prevê pena de um a quatro anos de prisão para casos de violência contra animais, com possibilidade de aumento quando houver morte.
As demais iniciativas ainda estão em tramitação e poderão sofrer alterações durante o processo legislativo.


























