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Exclusivo; Bola na rede: Neymar dribla o banqueiro Daniel Vorcaro em R$ 100 milhões

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Brasília costuma produzir enredos que fariam inveja aos melhores roteiristas. Desta vez, porém, o roteiro saiu dos bastidores do mercado financeiro e desembarcou no gramado da Vila Belmiro. Entre banqueiros, empresários, contratos milionários e estratégias de imagem, surge um personagem que jamais apareceria como protagonista natural de uma investigação sobre instituições financeiras: Neymar.

O nome do atacante aparece em diálogos extraídos do telefone celular de Tiago Miranda, apreendido pela Polícia Federal e incorporado aos autos do processo que investiga negócios relacionados ao Banco Master e ao BRB. As mensagens revelam tratativas comerciais que buscavam aproximar Daniel Vorcaro do universo do jogador e do Santos Futebol Clube.

O projeto discutido girava em torno de um patrocínio estimado em R$ 100 milhões. A proposta previa levar a marca Master para espaços nobres do uniforme santista, incluindo camisa, shorts e meiões, utilizando a força mundial da imagem de Neymar como vitrine para ampliar a exposição institucional do banco.

Os diálogos revelam que a estratégia não se limitava a um contrato de publicidade. O objetivo era inserir Daniel Vorcaro em um ambiente de projeção internacional, aproveitando a dimensão global construída pelo principal ídolo do Santos nas últimas duas décadas.

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Em uma das mensagens encaminhadas ao banqueiro, Tiago Miranda resume a urgência da negociação:

“Estou com uma demanda do Neymar urgente.”

Na sequência, relata contatos mantidos com Neymar Pai e sintetiza a finalidade da operação:

“A ideia é trazer Daniel para o universo Neymar.”

As conversas mostram que Neymar Pai era o principal interlocutor nas tratativas iniciais. A presença do jogador nas reuniões dependeria exclusivamente da programação de treinamentos e da agenda do Santos Futebol Clube.

Em outra troca de mensagens aparece o registro:

“Pai do Ney quer sentar e quer levar ele também.”

Pouco depois, nova mensagem reforça:

“Vamos marcar com o filho junto.”

O material constante dos autos também revela discussões envolvendo cartas de intenção, estrutura contratual, empresas responsáveis pelas negociações e propriedades comerciais do uniforme do Santos.

Uma das mensagens faz uma pergunta direta:

“Qual marca o Daniel vai querer colocar na costela, no shorts e no meião?”

Os documentos ainda fazem referência ao envio de cartas de intenção relacionadas ao Santos FC e a Neymar Jr., além de debates sobre valores financeiros e a arquitetura jurídica que sustentaria eventual contrato de patrocínio.

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As conversas mostram Tiago Miranda organizando reuniões, aproximando empresários e conduzindo uma agenda que buscava transformar a operação em realidade.

Em nenhum momento os documentos fazem referência à carreira esportiva de Neymar nem indicam qualquer investigação envolvendo o jogador. Os diálogos tratam exclusivamente de negociações comerciais relacionadas ao uso de sua imagem e ao projeto de patrocínio vinculado ao Santos Futebol Clube.

Até onde os autos permitem concluir, as mensagens evidenciam a existência de tratativas envolvendo Neymar, Neymar Pai, Daniel Vorcaro e Tiago Miranda. O material, por si só, não demonstra que o contrato tenha sido efetivamente celebrado, executado ou pago, nem atribui ao jogador qualquer participação em ilícitos investigados no âmbito do caso Master/BRB.

Nos autos, o futebol aparece como plataforma de negócios. O banco buscava projeção. O empresário costurava agendas. O craque representava a vitrine. E a investigação da Polícia Federal acabou revelando um capítulo que jamais seria imaginado quando o inquérito começou a desvendar as relações entre o Banco Master e o BRB.

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