O resgate de Bruna Damaris Sant’anna da Silva após quase dois dias à deriva em alto-mar intrigou especialistas e chamou atenção pela raridade do caso. A jovem desapareceu no último domingo (24), durante um passeio de moto aquática em Ilhabela, e foi encontrada com vida a cerca de 16 quilômetros da costa após mais de 42 horas no oceano.
Enquanto as buscas pelo amigo Dheoge Pereira continuam, especialistas apontam que uma combinação de fatores físicos, climáticos e psicológicos foi decisiva para a sobrevivência de Bruna em meio às águas frias do litoral paulista.
A meteorologista Josélia Pegorim explicou que, apesar das baixas temperaturas registradas na região, o cenário climático era menos severo do que o observado dias antes do desaparecimento. Segundo ela, a ausência de uma massa polar mais intensa reduziu o risco de hipotermia acelerada, uma das principais causas de morte em situações de permanência prolongada no mar.
“Se fosse na semana passada, quando o ar estava mais frio e havia chuva constante no litoral paulista, as condições seriam muito mais desfavoráveis para o corpo humano”, explicou.
Além das condições climáticas, o fator emocional também foi apontado como determinante. O comandante Leonardo Nery afirmou que a capacidade de Bruna de controlar o desespero foi essencial para que ela permanecesse consciente durante todo o período.
Segundo ele, vítimas em situações extremas costumam sucumbir primeiro ao pânico e ao desgaste psicológico, antes mesmo dos efeitos físicos, como desidratação, fadiga e hipotermia.
“Ela conseguiu manter a lucidez praticamente o tempo todo. Isso é algo extremamente difícil em uma situação desse tipo”, afirmou.
Os relatos indicam que Bruna e o amigo utilizavam coletes salva-vidas no momento do acidente, o que também contribuiu para aumentar as chances de sobrevivência. Ainda assim, especialistas consideram o caso raro, principalmente pelo longo período em alto-mar sem alimentação, descanso ou proteção contra as variações climáticas.
A Marinha do Brasil segue com as buscas por Dheoge Pereira, que continua desaparecido.





























