Mesmo conhecida há décadas, a adenite equina, popularmente chamada de garrotilho, continua sendo um dos principais desafios sanitários da equideocultura brasileira. O alto poder de transmissão da doença e a presença de portadores assintomáticos dificultam o controle e afetam diretamente o desempenho e o bem-estar dos animais.
Doença contagiosa compromete rebanhos equinos
Em um cenário em que o Brasil possui cerca de 6 milhões de equinos, a sanidade respiratória é fundamental para garantir produtividade e previsibilidade no manejo.
Causado pela bactéria Streptococcus equi, o garrotilho apresenta elevada transmissibilidade, podendo atingir rapidamente grande parte dos animais suscetíveis. Em populações não imunizadas, a taxa de morbidade pode se aproximar de 100%, favorecendo surtos em ambientes coletivos.
Sintomas afetam desempenho e recuperação dos animais
- Os sinais clínicos mais comuns incluem:
- Febre e apatia
- Secreção nasal mucopurulenta
- Aumento dos linfonodos na cabeça e no pescoço
Em muitos casos, há formação de abscessos e comprometimento das vias respiratórias, o que interfere diretamente na alimentação, recuperação e desempenho físico dos equinos.
Portadores assintomáticos dificultam o controle da doença
Embora os sintomas sejam conhecidos, o comportamento epidemiológico da doença ainda representa um desafio. Estudos realizados no Brasil indicam a presença do agente mesmo em animais sem sinais clínicos.
Pesquisas apontam prevalência em torno de 2% a 2,4% dos equinos, com presença significativa nas propriedades avaliadas. Em muitos casos, os animais positivos não apresentavam sintomas no momento da análise.
Esse cenário evidencia o papel dos portadores assintomáticos, que podem continuar abrigando a bactéria, especialmente nas bolsas guturais, tornando-se fonte de infecção e contribuindo para a persistência da doença.
Transmissão ocorre por contato e falhas de manejo
A disseminação do garrotilho está diretamente ligada ao:
- Contato entre animais
- Compartilhamento de equipamentos contaminados (baldes, cochos, cabrestos)
- Ambientes com alta densidade e trânsito de equinos
Locais como eventos, leilões e competições aumentam significativamente o risco. Além disso, práticas como quarentena de novos animais e isolamento de suspeitos ainda não são adotadas de forma consistente em muitas propriedades.
Impacto produtivo e esportivo preocupa o setor
Segundo a médica-veterinária e coordenadora técnica de equinos da Ceva Saúde Animal, Camila Senna, os impactos vão além do quadro clínico:
“O garrotilho interfere diretamente no desempenho, pois o animal reduz o consumo de alimentos, perde condição corporal e demora mais para retomar o ritmo. Isso afeta tanto a produção quanto o desempenho esportivo.”
Prevenção e biossegurança são fundamentais
O controle da doença depende de uma abordagem integrada, baseada em:
- Protocolos sanitários bem definidos
- Controle na entrada de animais
- Higiene rigorosa dos equipamentos
- Monitoramento constante
A vacinação também é apontada como ferramenta importante para reduzir a incidência e a gravidade dos casos, especialmente em ambientes de maior risco.
Sanidade respiratória ganha importância estratégica
Com a crescente profissionalização da equideocultura, a sanidade animal se torna um fator decisivo para a sustentabilidade da atividade.
Mesmo sendo uma enfermidade conhecida, o garrotilho continua gerando prejuízos quando não é controlado de forma eficiente. A adoção consistente de medidas de biossegurança, aliada a programas de imunização, é essencial para preservar a saúde dos equinos e garantir o desempenho produtivo e esportivo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio



























