O governador Mauro Mendes (União) desafiou o senador Wellington Fagundes (PL) a debater a situação fiscal de Mato Grosso com base em “dados concretos”, após o parlamentar afirmar que o chefe do Executivo estaria fazendo “terrorismo” ao tratar dos impactos financeiros de propostas para o Estado.
A declaração foi feita nesta quarta-feira (18), durante entrevista à imprensa. Mendes afirmou que está disposto a discutir com qualquer pré-candidato ao governo, desde que o debate seja técnico. “Fala para ele vir debater comigo dados concretos, não com frase de efeito. Verdade é terrorismo? Debate é terrorismo? Eu topo um debate com qualquer um. Agora com dados concretos, não com frase de efeito, com lacração”, disse.
O embate ocorre após Wellington defender o pagamento do passivo da Revisão Geral Anual (RGA) aos servidores estaduais e acusar o governador de gerar pânico ao tratar do tema. Em entrevista ao Jornal do Meio Dia, o senador afirmou que a situação fiscal de Mato Grosso é positiva e que o Estado seguirá em crescimento independentemente do gestor.
Mendes, por sua vez, voltou a afirmar que propostas que ampliam despesas sem indicar fontes de compensação podem comprometer o equilíbrio das contas públicas. Segundo ele, esse tipo de medida pode levar a um cenário de desequilíbrio fiscal. “Esse é o caminho da perdição e para quebrar Mato Grosso. Estou falando de qualquer um que queira se candidatar”, afirmou.
Durante a entrevista, o governador também defendeu que a experiência administrativa deve ser considerada na escolha do próximo chefe do Executivo estadual. Ele comparou a disputa política a outras áreas que exigem qualificação prévia. “Você não vira governador sem ter experiência. É como alguém que nunca jogou futebol querer ser escalado para uma final e prometer fazer cinco gols”, disse.
Mendes ainda relembrou sua trajetória política e citou a experiência do vice-governador Otaviano Pivetta, destacando que ambos já exerceram cargos no Executivo municipal. “Eu fui prefeito de Cuiabá, o Pivetta foi três vezes prefeito. São dois gestores com experiência. É isso que fez Mato Grosso dar certo”, afirmou.
O governador também criticou promessas de campanha que, segundo ele, combinam aumento de despesas com redução de receitas. Na semana passada, ao comentar propostas de Wellington, ele mencionou o risco de impacto nas contas públicas, incluindo a possibilidade de perda de arrecadação e ampliação de gastos com pessoal.
Wellington, por outro lado, defende o pagamento do passivo da RGA, estimado em cerca de 20%, referente a reajustes não concedidos integralmente desde 2017. Segundo o senador, a medida representa o cumprimento de uma obrigação do Estado com os servidores. “Dívida tem que ser honrada por qualquer cidadão. Imagine o governo. Portanto, honrarei com o RGA”, afirmou em vídeo divulgado nas redes sociais.
O tema também está em debate na Assembleia Legislativa. Em janeiro, a deputada Janaina Riva (MDB) apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reconhece formalmente a dívida com os servidores e prevê que o pagamento seja regulamentado por lei complementar, com definição de cronograma. A proposta está em tramitação e tem como base estudos que apontam uma defasagem salarial acumulada de 19,52%.


























