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Ministros do STF se alinham a Moraes

Ministros vêm ação dos EUA como afronta à soberania e dizem que governo deveria ter respondido formalmente à fala de Marco Rubio

Alexandre de Moraes (Foto: Bruno Peres/Agência Brasil)

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247 – A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) manifestou apoio à decisão do ministro Alexandre de Moraes de instaurar um inquérito contra o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), afirma a jornalista Daniela Lima em sua coluna no g1.

Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o filho do ex-presidente tem agido de maneira pública para “ameaçar, constranger e impedir” o avanço das investigações relativas à tentativa de golpe de Estado, processo em que Jair Bolsonaro figura como principal investigado.

Um ministro da Primeira Turma, ouvido reservadamente pela reportagem, afirmou que a solidariedade interna à decisão de Moraes “tende a chegar a 100%”, podendo haver apenas “uma exceção”. Ele classificou como “absurda” a ameaça americana de sanções contra o ministro. “Não há precedentes no mundo para esse tipo de sanção contra um juiz de outro país”, analisou.

O mesmo integrante do Supremo propôs uma analogia para demonstrar a gravidade da interferência externa: “Para dimensionar o tamanho da violação à soberania brasileira, basta inverter a situação: brasileiros estão sendo deportados dos Estados Unidos. Imaginemos um juiz brasileiro decretar a prisão dos agentes policiais americanos que atuam nessas ações?”, questionou. E concluiu: “Sendo que a situação é ainda mais grave, porque não há um cidadão americano sequer em litígio nesse caso”.

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As críticas internas também se voltaram ao Ministério das Relações Exteriores. Um segundo ministro do STF afirmou que, após a declaração do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio — que confirmou a possibilidade de sanções contra Moraes —, o Itamaraty tinha a responsabilidade de oferecer uma resposta firme. “Acho que todos ali no governo sabem que havia a expectativa de uma reação oficial que não veio. A resposta que tivemos é que a diplomacia opera de uma forma diferente. Mas houve a fala de um integrante do primeiro escalão”, apontou o magistrado.

Ainda de acordo com a  reportagem, o Itamaraty afirmou que o chanceler Mauro Vieira tem mantido Moraes informado pessoalmente sobre os desdobramentos das conversas com o governo dos Estados Unidos. “Diplomacia nem sempre se faz pela mídia”, declarou um integrante do Ministério. Ele ponderou: “Ninguém pode garantir resultados na Washington de hoje em dia, mas é nossa obrigação tentar, enquanto ainda é possível evitar uma crise. Mas não cabia queimar a largada e fechar portas só por conta da declaração”.

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Nos bastidores, membros do STF também enxergam o episódio como parte de um movimento mais amplo. Um ministro da Primeira Turma afirmou que o bolsonarismo se transformou em “instrumento das big techs, que estão dentro do governo americano, e que têm usado o poder de Washington para pressionar a Justiça do Brasil, à medida que se aproxima o julgamento de uma regulamentação das plataformas”. Essa visão é compartilhada por outros ministros da Corte.

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