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Carol Torres: vencedora do Prêmio Mulheres das Águas trocou a engenharia civil pela pesquisa e produção de peixes ornamentais na engenharia de pesca

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O amor pelo mar sempre esteve presente na vida de Carolina Martins Torres da Silva, vencedora do Prêmio Mulheres das Águas na categoria “Pesca ou Aquicultura de Peixes Ornamentais”. Natural de Pernambuco, mas com raízes em Porto de Pedras (AL), cresceu perto do mar entre o litoral de Pernambuco e Alagoas, onde adquiriu habilidades aquáticas ainda na infância, suas atividades favoritas era pescar e mergulhar. Esse contato com o oceano a levou a buscar conhecimentos sobre a vida marinha e, mais tarde, a construir uma carreira sólida na aquicultura ornamental.

Formada primeiramente em edificações, Carolina chegou a trabalhar na construção civil, mas logo percebeu que seu caminho era outro. Abandonou o emprego e ingressou na engenharia de pesca, onde encontrou seu verdadeiro propósito. “Foi um divisor de águas na minha vida. Nada mais me segurava em terra”, relembra. Durante a graduação, se dedicou em pesquisas sobre oceanografia biológica, biologia reprodutiva e piscicultura marinha, passando por renomados laboratórios e projetos científicos.

Empreendedorismo e inovação na criação de peixes ornamentais

O interesse pelos peixes ornamentais a aproximou de seu marido, Francisco (o Chico), que já atuava na área. Juntos, fundaram a Recife de Peixes – Aquicultura Ornamental. “Nosso objetivo era produzir principalmente peixes de água salgada e, para isso, buscamos um local ideal que atendesse às exigências de qualidade da água”, conta.

Carol e seu esposo, Chico
Carol e seu esposo, Chico
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Na época, a aquicultura ornamental ainda carecia de regulamentação, o que exigiu dos dois muita dedicação, resiliência e inovação. Enquanto Chico se empenhava para desenvolver protocolos de reprodução para espécies que cultivavam, como o peixe-palhaço, Carol se concentrava em atender a legislação vigente e na parte comercial da empresa. “Trabalhamos muito na regra do erro e acerto, pois quase não havia informações disponíveis sobre o cultivo de espécies marinhas”, explica. Com o sucesso na reprodução do peixe-palhaço (Amphiprion ocellaris), o casal expandiu a criação para outras espécies ornamentais, como Pseudochromis, Neon Gobbys e Meiacanthus grammistes.

Carol e Chico
Carol e Chico

Paralelamente, Carol também não deixou de buscar mais conhecimentos junto a acadêmica, cursando mestrado e doutorado na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), sempre aplicando seus estudos para aprimorar a reprodução e o cultivo dos organismos aquáticos ornamentais. Sua pesquisa a levou a projetos de grande relevância, como o desenvolvimento de protocolos para a reprodução do cavalo-marinho (Hippocampus reidi), em parceria com a UFPE e o governo de Pernambuco. “Foi um projeto desafiador, mas conseguimos fechar todo o ciclo reprodutivo e criar os juvenis com sucesso”, destaca.

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Ao longo da carreira, recebeu convites para atuar em instituições internacionais, incluindo um pós-doutorado na Universidade do Havaí. No entanto, optou por permanecer no Brasil para conciliar a vida acadêmica com a empresa e a família. “Com dois filhos pequenos e uma empresa para gerir, precisei fazer escolhas, mas nunca deixei de buscar conhecimento e inovação para a aquicultura ornamental”, afirma.

Carol no Congresso Brasileiro de Engenharia de Pesca (CONBEP)
Carol no Congresso Brasileiro de Engenharia de Pesca (CONBEP)

Hoje, Carolina Martins Torres da Silva é uma referência na área, inspirando novas gerações de pesquisadores e empreendedores. Seu trabalho prova que a paixão pelo mar e pela ciência pode transformar vidas e impulsionar o setor aquícola brasileiro, que ainda tem tanto para crescer.

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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