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Segunda-feira, 19 de Abril de 2021, 09h:36

‘CONVIVA’ NA PANDEMIA

Emanuel Pinheiro sob suspeita por quase R$ 10 milhões pagos a empresa sem prestação de serviços

Firma tem contrato milionário com a Secretaria de Educação de Cuiabá para atendimento a crianças com deficiência nas escolas da capital mato-grossense que estão fechadas desde o começo do ano passado por conta da crise sanitária provocada pelo ‘covid´

Divulgação

HAROLDO ASSUNÇÃO, 

Especial para o BRASIL NOTÍCIA  

E mesmo sem nenhum trabalho para o município desde então, pagamentos não foram suspensos; enquanto o ‘lockdown’ leva a fome a centenas de famílias cuiabanas, prefeitura da capital pagou do ano passado para cá o equivalente a 15 mil cestas básicas 

Depois de sobreviver às eleições municipais do ano passado - não sem deixar tufos de pelo grudados no arame – e pelo menos em tese garantir a estadia no Palácio Alencastro até 2023 era de se esperar que o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) fosse andar rigorosamente na linha e quiçá enterrar definitivamente o famigerado “escândalo do paletó” - isso, claro, se o camburão-vip não encostar antes.  

Pois depois que ‘colou’ a tal história da dívida que Silval Barbosa teria com seu irmão contada por ‘Nenéo” para justificar ter sido apanhado com a mão no pacote pelas câmeras traiçoeiras camufladas pela arapongagem do ex-governador, que pilharam um punhado de deputados supostamente recebendo a “merenda” estatutária. Só Emanuel Pinheiro teria ido receber dinheiro lícito - pelo menos é o que ele jura. 

E o eleitorado cuiabano parece que acreditou...  

CONVIVA  

Curioso é que em suas tímidas e até tardias explicações sobre o “causo”, o prefeito de Cuiabá tenha sido enfático na afirmação de a soma embolsada em espécie - coisa de R$ 50 mil – correspondia ao justo pagamento por pesquisas eleitorais - serviço efetivamente prestado por seu irmão ao hoje delator Silval Barbosa.  

E deixou subentendido nas entrelinhas que não compactuava com pagamento sem serviço.  

Pois é justamente isso que a prefeitura da capital – por meio de contratos firmado pela Secretaria Municipal de Educação - é suspeita: pagamentos milionários a certa empresa paulista por serviços que jamais foram prestados à municipalidade.  

Trata-se aqui dos contratos nº 388/2019, 003/2020/FUNED e 467/2020, todos referentes à adesão da prefeitura cuiabana à Ata de Registro de Preços nº 131/2018, esta firmada por meio do pregão presencial nº 076/2018 realizado pela Prefeitura Municipal de Primavera do Leste.  

A contratada é uma tal Conviva Serviços e Gestão de Mão de Obra na rua Virgílio Malta, nº 2016, bairro Vila Mesquita, em Bauru – cidade do interior paulista nacionalmente conhecida em razão do tradicional lanche homônimo.  

A empresa recebeu em 2019 pouco mais de R$ 32,5 mil da Prefeirura de Cuiabá para o fornecimento de mão de obra especializada destinada a atender crianças com deficiência na rede pública de ensino do município.  

As escolas estão fechadas desde o começo do ano passado, por conta da pandemia.  

Mesmo assim a tal Conviva recebeu aproximadamente mais R$ 7,7 milhões no ano passado e mais de R$ 1 milhão já nos primeiros meses de 2021. 

PESTE E FOME 

Somados os valores pagos pela prefeitura desde o início da pandemia dariam para distribuir mais de 15 mil cestas básicas à sofrida população castigada pela fome e acuada em casa pela ameaça do coronavirus – e impedida de ganhar o sustento por decretos oficiais e ordens judiciais afins. 

Apesar disso a empresa paulista continuaria a receber vultosos pagamentos a prefeitura.  

Curioso é que a dita Conviva Serviços e Gestão foi representada na assinatura do contrato por uma certa Maíra Pizzo – a qual por sua vez fez-se representar via procuração pelo pai, Nelson Pizzo Filho.  

A reportagem procurou por ambos em ligação telefônica para a empresa.  

Mas nunca estão lá na tal Conviva. 

Da prefeitura também nenhuma resposta. 

Enquanto isso o povo que conviva com a fome e sobreviva à peste. 

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