República dos grampos ilegais, CPI dos grampos já!!!

Mato Grosso termina esse fim de semana e inicia a próxima em grande dúvida. Muito se  há que  explicar sobre a suposta república dos  grampos  ilegais  instalada por aqui.

Muito há que se  refletir  que tipo de crime é esse, bisbilhotar sem autorização a vida alheia, principalmente, a vida de várias autoridades.

A gravidade dos fatos narrados superficialmente pela Rede Globo no  fantástico  deste Domingo, merece um aprofundamento investigativo e uma necessária  transparência  nos nomes que supostamente tinham o Governo ‘ouvindo atrás da porta’.

Para quê o Governo precisaria ouvir para saber a  pauta  do dia seguinte do jornal e do jornalista opositor? Ou queria levantar quem eram as  fontes  e destroçar o sigilo jornalístico e a própria liberdade de imprensa ? Ou pior, queria levantar algum “podre” desse interceptado, para depois chantageá-lo, exigir algo ou algum compromisso, cometendo aí um segundo crime, a extorsão?!.

Quem teria interesse em ouvir as escondidas, Advogado e Coordenador Jurídico da coligação adversária na campanha à Governo de 2014?

Por que um  promotor , dos mais respeitados do MP/MT, com mais de 20 anos de atuação ilibada sem uma mácula no currículo que seja, iria dizer em cadeia nacional que AVISOU o Governador e este dizer que não foi avisado “oficialmente”. Se avisou “de boca” não causou perplexidade no Governador, ser confrontado com fato tão GRAVE? Não deu um  “comichão” de querer saber mais a respeito?

 

Um Constitucionalista como o Governador, um ex-Procurador da República acostumado a interceptações telefônicas e, seus regramentos legais e uso restrito, ao saber (ainda que informalmente-ainda-!) do alcance (120 grampeados, até agora apurado!) dos grampos ilegais e quem seria algumas das personalidades invadidas em suas privacidades, deveria por óbvio ter solicitado providências, diligências, investigações e acompanhar o deslinde atentamente e expor a público, cobrando efetividade inclusive, pois o executivo tem poder para determinar tais atos.

 

Ouvir ilegalmente, por interesses escusos, quem quer que seja, e sendo principalmente conhecidos adversários políticos do Governo, é desrespeitar por completo a ordem Democrática, é lidar com quem não respeita a representatividade das  instituições , é USURPAR funções de Estado para fins de cometer crimes, é tornar ainda mais pesada a “Mão do Estado” contra seus adversários, transformando-se em verdadeiro OPRESSOR, um “ditador a la democracia ”.

 

Numa Democracia, os compromissos assumidos por líderes são provas de confiança e pragmatismo. Ouvir aliados é tão paranoico quanto o drogado que ouve vozes. É pequeno demais para ser função do Estado!.

As perguntas NÃO deverão calar , e algumas delas são:-Quem foram todos os grampeados?, por quanto tempo tiveram invadidas suas intimidades? Onde estão esses “arquivos”? Quem fez as escutas? Quem teve acesso a elas? É preciso saber o nome dos policiais envolvidos e os que deram as ordens , em ordem hierárquica!.

 

Em quantos outros inquéritos e investigações isso pode ter acontecido, o uso da prática de “barriga de aluguel”?. É preciso saber se existem OUTROS que foram objeto de interesse do estado, leia-se, vasculhado, como Sindicalistas, outros Deputados, algum Senador, líderes de seguimento, empresários etc?.

 

Trata-se de jogo baixo, de quem é “filhote” da ditadura, pois se vale das mesmas práticas que a maldita.

Não é demais lembrar que o Governador Taques foi o primeiro e maior entusiasta da “Ruptura Constitucional”, que derrubou uma Presidente eleita, quebrando a ordem Constitucional das eleições e alterando a ordem da pauta política posta, impondo ao  trabalhador nesse momento, duras e covardes retiradas de direitos.

 

É preciso mais do que nunca seriedade  da Assembleia Legislativa, evitando a subserviência da AL ao ‘poder executivo’, que deve proceder uma profunda investigação, o que inclui abertura da CPI, demonstrando sua independência e buscando respostas à sociedade, cumprindo papel de  fiscalizar  os atos do executivo.

 

É a vez do Ministério Público mostrar também a separação dos Poderes e proceder a uma investigação sem trégua, doa a quem doer, respingue em quem respingar.

A OAB tem de ser partícipe nestas diligências e investigações, para não restar dúvidas da isenção e transparência dos demais órgãos. O Sindicato dos Jornalistas deve se manifestar e repudiar tais atos contra seus profissionais.

 

Mato Grosso precisa ser  passado limpo. A própria Democracia está em jogo! Contra as instituições não podem reinar dúvidas tão severas!!! CPI dos grampos já!!!

Cuiabá 15 de maio de 2017

Antonio Wagner Oliveira
Sobre Antonio Wagner Oliveira 1 Artigo
Antonio Wagner Oliveira é Analista Jurídico da Área Meio do Governo e está como Coordenador da CSB/MT, Diretor Nacional da CSB, e Dir. Jurídico do SINPAIG/MT.

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