Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019

Política
Quarta-feira, 09 de Outubro de 2019, 09h:29

Operação Lava Jato

Procurador da república pede para PF investigar Fake News sobre ele mesmo

Redação

Nessa quarta-feira, 09, o site UOL publicou uma denúncia que revela que o procurador da República Diogo Castor, ex-integrante da Lava Jato, usou seu cargo no MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná) para solicitar à PF (Polícia Federal) uma investigação sobre boatos contra ele.

Ele é autor de um ofício enviado à polícia pedindo a apuração sobre notícias supostamente falsas que o relacionam ao vazamento de mensagens de autoridades divulgadas pelo The Intercept Brasil. Castor fez parte força-tarefa da Lava Jato até abril. No início daquele mês, ele pediu afastamento da equipe alegando precisar de tratamento de saúde.

O afastamento de Castor ocorreu no mesmo dia em que, segundo conversas reveladas pelo próprio The Intercept Brasil, ele confessou ter pagado pela instalação de um outdoor em homenagem à Lava Jato numa via de acesso ao aeroporto Afonso Pena, na região metropolitana de Curitiba. A contratação do outdoor está sendo investigada pelo STF e também pela Corregedoria Nacional do Ministério Público. A contratação da propaganda foi feita em nome de uma pessoa que nega ter feito o pedido, o que levanta suspeitas de falsidade ideológica.

O outdoor também fere princípios de impessoalidade segundo interpretação do Caad (Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia), que atuou no CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) em processo referente à propaganda.
Após se afastar da força-tarefa da Lava Jato, Diogo Castor passou a ocupar um posto de trabalho na representação do MPF-PR em Jacarezinho (390 km de Curitiba). Foi desta representação que ele enviou o ofício à PF solicitando que o órgão investigue notícias falsas que estariam circulando na internet a respeito do procurador.

No ofício, ele pede, em nome do MPF-PR, a apuração pela PF de suspeitas de calúnia e de obstrução de investigação de organização criminosa. Este crime está previsto na lei 12.850/2013 e pode ser punido com três a oito anos de prisão. O ofício informa que fake news "apontando o subscritor deste ofício [Castor] como autor do vazamento [das mensagens] teria por finalidade desviar o foco investigativo das autoridades, fazendo surgir a falsa hipótese da inexistência de um hacker".

Após a solicitação do MPF-PR, um inquérito foi aberto pela PF.O MPF-PR foi procurado pelo UOL para falar sobre a investigação e, principalmente, sobre a solicitação dela. Informou que o "inquérito está sob sigilo e, por isso, não há como repassar nenhum detalhe ou fazer qualquer comentário sobre o assunto".
A reportagem procurou a Superintendência da PF no Paraná, mas o órgão informou que não se manifestará sobre o caso.Na superintendência, o delegado Flávio Augusto Setti foi escalado para atuar na investigação. Setti é especialista em investigações sobre crimes ocorridos na internet.

Comandou operações de combate à pedofilia. Colaborou, inclusive, com a investigação sobre o hackeamento de telefones celulares de membros da operação Lava JatoEsse hackeamento, segundo a PF, foi que interceptou as conversas privadas de integrantes da operação divulgadas pelo The Intercept Brasil.Diogo Castor foi procurado pelo UOL para falar sobre as supostas calúnias contra ele e sobre a investigação sobre elas. Ele não quis se pronunciar.

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